{"id":305,"date":"2026-08-11T18:22:12","date_gmt":"2026-08-11T18:22:12","guid":{"rendered":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/?p=305"},"modified":"2026-08-11T18:22:12","modified_gmt":"2026-08-11T18:22:12","slug":"earworm-verme-de-ouvido-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/2026\/08\/11\/earworm-verme-de-ouvido-2\/","title":{"rendered":"EARWORM &#8211; Verme de Ouvido 2"},"content":{"rendered":"\n<p>Earworm\u201d (\u201cVerme de Ouvido\u201d) \u2013 2<\/p>\n\n\n\n<p><em>Numa cr\u00f4nica anterior citei o famoso Buraco do Padre e as suas reuni\u00f5es dan\u00e7antes num tempo pouco lembrado em que jovens flertavam, dan\u00e7ava-se de rosto colado (pelo menos se tentava) e com o bra\u00e7o envolvendo a bela e perfumada criatura. Amores intensos floresciam e feneciam nos jatos das luzes estrobosc\u00f3picas, do globo girat\u00f3rio de espelhos ou nos suores de uma noite de carnaval no Cidreira Praia Clube (velho e destru\u00eddo CPC de guerra!). Vamos bailar juntos nas nossas mem\u00f3rias e na efervesc\u00eancia de sentimentos que brotam em mim e em voc\u00ea? Bora, ent\u00e3o!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Lembra da marchinha \u201cQuarta-feira de cinzas\u201d de Carlinhos Lyra e do Poetinha Vinicius? Uma poesia que imortalizou a imagem de um sal\u00e3o cheio, do brilho nos olhos e daquela mo\u00e7a que se torna a tua musa do baile. Um recome\u00e7o? Renascimento. O calor aditivado pelos horm\u00f4nios. Pelos \u201casteroides\u201d hormonais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u201cTanto riso, oh, tanta alegria | Mais de mil palha\u00e7os no sal\u00e3o | Arlequim est\u00e1 chorando pelo amor da Colombina | No meio da multid\u00e3o.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora a m\u00fasica trace as luzes da festa ou de seu fim, esse trecho \u00e9 o apogeu. A explos\u00e3o de alegria que iluminou carnavais de jovens em busca do amor-quase-ou-perfeito. Uma Colombina que trouxe luzes, onde muitas n\u00e3o sobrevivem \u00e0s cinzas de uma quarta-feira.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos cutucar com vara curta outra caverna, outro escaninho da mem\u00f3ria. O c\u00e9lebre ga\u00facho de Santana do Livramento, gago quando n\u00e3o cantava, um monstro inigual\u00e1vel de voz e interpreta\u00e7\u00e3o realista \u2013 Nelson Gon\u00e7alves. Lembra \u201cNaquela mesa\u201d? Mais vi\u00e1vel aos veteranos que troteavam um bolero ou um tango \u00e0 \u201cmedia luz\u201d, sobre um tijolo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u201cNaquela mesa ele contava hist\u00f3rias \/ Que hoje na mem\u00f3ria eu guardo e sei de cor \/ Naquela mesa ele juntava gente \/ E contava contente o que era pra ser melhor \/ Naquela mesa ele deixou a gente \/ E hoje, infelizmente, s\u00f3 resta o p\u00f3.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa letra \u00e9 um sopapo, um ponta\u00e7o de adaga castelhana, um pealo na saudade. Ele descreve o pai amado, n\u00e3o como uma criatura distante, mas como o n\u00facleo, o \u00e2mago, o centro gravitacional da fam\u00edlia e dos amigos \u2013 aquele que juntava \u201cgente\u201d. Al\u00e9m do velho Aldo Cabeleira, meu pai, lembro profundamente da minha m\u00e3e Dora que criou os irm\u00e3os e a fam\u00edlia girava na harmonia das suas m\u00e3os. H\u00e1 m\u00fasicas, at\u00e9 fr\u00eamitos que ultrapassam a vida. A nostalgia do pai e a Mesa Vazia. Como voc\u00ea sente? Diga-me!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u201cEu sei que vou te amar | Por toda a minha vida eu vou te amar | Em cada despedida eu vou te amar | Desesperadamente, eu sei que vou te amar.\u201d De Vin\u00edcius de Moraes e Tom Jobim \u2013 \u201cEu sei que vou te amar\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes j\u00e1 cantarolou isso no seu sil\u00eancio, ou ao ouvido da prenda amada? \u00c9 eterno esse hino ao amor. Reflete, ilumina a aceita\u00e7\u00e3o do amor com todas as suas consequ\u00eancias, tanto da alegria do encontro como pela dor da saudade. Eleva a parceria ao dogma do destino inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Tom Jobim, mestre da sensibilidade, na \u00faltima frase gravou a vida a dois \u2013 \u201c<strong>\u00c9 imposs\u00edvel ser feliz sozinho\u201d<\/strong>. \u00c9 a conclus\u00e3o e o reconhecimento final de que, por mais independente que seja a criatura, a felicidade plena s\u00f3 se completa no espelho do outro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u201cVou te contar \/ Os olhos j\u00e1 n\u00e3o podem ver \/ Coisas que s\u00f3 o cora\u00e7\u00e3o pode entender \/ Fundamental \u00e9 mesmo o amor \/ \u00c9 imposs\u00edvel ser feliz sozinho.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deus do C\u00e9u, que maravilha mesmo!<\/p>\n\n\n\n<p>2026.01.20 &#8211; \u201cEarworm\u201d 2 (\u201cVerme de Ouvido\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p>Edson Olimpio \u2013 Cr\u00f4nicas &amp; Agudas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Earworm\u201d (\u201cVerme de Ouvido\u201d) \u2013 2 Numa cr\u00f4nica anterior citei o famoso Buraco do Padre e as suas reuni\u00f5es dan\u00e7antes num tempo pouco lembrado em que jovens flertavam, dan\u00e7ava-se de rosto colado (pelo menos se tentava) e com o bra\u00e7o envolvendo a bela e perfumada criatura. 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