{"id":358,"date":"2026-08-27T17:13:47","date_gmt":"2026-08-27T17:13:47","guid":{"rendered":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/?p=358"},"modified":"2026-08-27T17:13:47","modified_gmt":"2026-08-27T17:13:47","slug":"o-olho-gordo-grande-no-garrao-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/2026\/08\/27\/o-olho-gordo-grande-no-garrao-do-brasil\/","title":{"rendered":"O Olho Gordo\/Grande no Garr\u00e3o do Brasil!"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Nossa Tradi\u00e7\u00e3o reverenciada nos Galp\u00f5es e <\/strong>nos 7 Povos das Miss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Nas vastid\u00f5es do Rio Grande do Sul, onde o vento Minuano corta como adaga de castelhano tra\u00eddo e o chimarr\u00e3o circula na roda de mate como uma prece coletiva, h\u00e1 uma praga antiga que ronda as est\u00e2ncias e os cora\u00e7\u00f5es: o olho gordo, ou olho grande, esse olhar invejoso que azeda a sorte alheia. Imagina, tch\u00ea, um pe\u00e3o montado em seu pingo, orgulhoso de seu rebanho gordo e reluzente, quando um vizinho passa e lan\u00e7a aquele relance carregado de cobi\u00e7a. \u00c9 como se o Negrinho do Pastoreio, aquela alma das lendas ga\u00fachas que vela pelos perdidos nas coxilhas, de repente virasse as costas, deixando o azar galopar solto. Sim ou n\u00e3o? Acredita nisso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>E nas Religi\u00f5es, e na Hist\u00f3ria&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas filosofias e religi\u00f5es do mundo, esse mal \u00e9 velho como manota\u00e7o de um \u00edndio charrua. No Islamismo, chamam de &#8220;al-ayn&#8221;, uma maldi\u00e7\u00e3o que o Profeta alertava, capaz de secar o po\u00e7o da felicidade com um simples piscar. No Juda\u00edsmo, \u00e9 o ci\u00fame que corr\u00f3i como ferrugem em boleadeira de ferro, ensinado nos textos rab\u00ednicos a evitar o olhar para o que n\u00e3o \u00e9 teu. J\u00e1 no Cristianismo, ecoa nas palavras de Mateus, onde o olho mau \u00e9 avareza que escurece a alma, misturando-se no Brasil com o catolicismo popular, como um ter\u00e7o rezado ao p\u00e9 de um cruzeiro nas miss\u00f5es jesu\u00edticas. No Hindu\u00edsmo, \u00e9 &#8220;drishti&#8221;, inveja que murcha a crian\u00e7a como capim seco no ver\u00e3o, e at\u00e9 no Budismo, surge como veneno mental, um desequil\u00edbrio que bagun\u00e7a o karma. Nas antigas Gr\u00e9cia e Roma, era &#8220;baskania&#8221; ou &#8220;fascinus&#8221;, for\u00e7a invejosa que at\u00e9 os deuses temiam, e aqui no Sul, sincretiza com o folclore afro-brasileiro e ind\u00edgena, onde a inveja bloqueia o corpo como um la\u00e7o mal atirado: um pealo maldito!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Diagn\u00f3stico \u2013 Sinais Trai\u00e7oeiros ou que a Boca Ruim delata&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como se identifica esse bicho ruim? Pelos sinais trai\u00e7oeiros: uma febre repentina no guri, como se o vento sul tivesse entrado nos ossos; o gado que emagrece sem motivo, ou a colheita que azeda no galp\u00e3o, o cusco que refuga a boia. No Brasil ga\u00facho, \u00e9 depois de um elogio falso na roda de churrasco que o mal ataca \u2013 choros incessantes, acidentes bobos, plantas murchando como alma sem mate, revert\u00e9rio no amor, talvez um desenlace cruel. Testes antigos revelam: \u00f3leo que afunda, cravos queimados que estalam como fogueira de S\u00e3o Jo\u00e3o, ou um ovo passado no corpo que, quebrado, mostra o mal cozido dentro. Ainda: o po\u00e7o que seca. Parente que se acampa e n\u00e3o sai mais&#8230; Um cuidado com as sogras. Nem todas! Uma que outra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong> O Ga\u00facho n\u00e3o se entrega numa Peleia contra o Mal&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas o ga\u00facho n\u00e3o se entrega ao destino como potro brabo; combate com f\u00e9 e ast\u00facia pampeana. Amuletos como a ferradura nas portas, olho azul que reflete o mal de volta, ou a hamsa, m\u00e3o protetora, viram figas penduradas no pesco\u00e7o, misturadas com sal grosso espalhado no potreiro ou arruda e espada de S\u00e3o Jorge plantada na entrada do rancho, como sentinelas contra o invasor. Frases como &#8220;Masha&#8217;Allah&#8221; ou &#8220;Que Deus te guarde&#8221; saem da boca como tiro de garrucha e berro de espingarda. E rituais ancestrais: banho de ervas que lava o corpo como o Rio Jacu\u00ed limpa a terra, queimar pimentas vermelhas para espantar o dem\u00f4nio, ou cuspir tr\u00eas vezes, ecoando o tranco de um pala no vento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong> De Trote Marcado e Nossa Senhora no Cora\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Assim, nos pampas, o olho gordo \u00e9 alegoria do vento Sul invejoso, que tenta roubar o calor do sol ga\u00facho, como falso e trai\u00e7oeiro \u201camigo\u201d. Mas com uma cuia de mate na m\u00e3o e a f\u00e9 no cora\u00e7\u00e3o, o pe\u00e3o ri dele, sabendo que a verdadeira prote\u00e7\u00e3o vem da generosidade \u2013 compartilhar o assado, o causo e a vida, pra que a inveja n\u00e3o encontre brecha. Porque aqui no Sul, tch\u00ea, a sorte se constr\u00f3i no galope coletivo, n\u00e3o no olhar solit\u00e1rio e enviesado de \u00f3dio e ci\u00fames. E quem planta maldade, colhe desgra\u00e7a, uma hora seu boleto chega! <strong>E tenho dito!<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>2<strong>026.04.21 \u2013 Olho Grande ou Olho Gordo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Edson Olimpio \u2013 Cr\u00f4nicas &amp; Agudas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jornal Opini\u00e3o de Viam\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa Tradi\u00e7\u00e3o reverenciada nos Galp\u00f5es e nos 7 Povos das Miss\u00f5es. Nas vastid\u00f5es do Rio Grande do Sul, onde o vento Minuano corta como adaga de castelhano tra\u00eddo e o chimarr\u00e3o circula na roda de mate como uma prece coletiva, h\u00e1 uma praga antiga que ronda as est\u00e2ncias e os cora\u00e7\u00f5es: o olho gordo, ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":359,"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358\/revisions\/359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}