{"id":417,"date":"2026-10-17T19:09:33","date_gmt":"2026-10-17T19:09:33","guid":{"rendered":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/?p=417"},"modified":"2026-10-17T19:09:33","modified_gmt":"2026-10-17T19:09:33","slug":"para-criar-uma-nova-cronica-que-ecoe-a-profundidade-de-a-cronica-do-principe-e-o-planalto-e-retrate-o-brasil-de-2026-como-um-palco-de-divisoes-injusticas-e-sonhos-de-redencao-escol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revista.edsonolimpio.com.br\/wordpress\/index.php\/2026\/10\/17\/para-criar-uma-nova-cronica-que-ecoe-a-profundidade-de-a-cronica-do-principe-e-o-planalto-e-retrate-o-brasil-de-2026-como-um-palco-de-divisoes-injusticas-e-sonhos-de-redencao-escol\/","title":{"rendered":"Para criar uma nova cr\u00f4nica que ecoe a profundidade de \u201cA Cr\u00f4nica do Pr\u00edncipe e o Planalto\u201d e retrate o Brasil de 2026 como um palco de divis\u00f5es, injusti\u00e7as e sonhos de reden\u00e7\u00e3o, escolho como personagem central Jean Valjean, de Os Miser\u00e1veis(1862) de Victor Hugo. Valjean, um homem condenado por um crime menor (roubar um p\u00e3o para alimentar a fam\u00edlia), perseguido por um sistema implac\u00e1vel e transformado por sua cren\u00e7a na reden\u00e7\u00e3o, \u00e9 um \u201cidiota\u201d no sentido de algu\u00e9m que persiste na bondade e na f\u00e9 em um mundo melhor, mesmo quando o mundo o esfaqueia \u2013 literalmente ou metaforicamente. Ele \u00e9 julgado sem verdadeira justi\u00e7a, marcado por um sistema que n\u00e3o esquece seu passado, mas ainda assim busca salvar os outros, como M\u00edchkin. A cr\u00f4nica abaixo tece Valjean com outros personagens de romances not\u00e1veis, criando uma alegoria que reflete o Brasil de 2026, com suas divis\u00f5es, aux\u00edlios sociais manipulados e a persegui\u00e7\u00e3o de um idealista."},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A Cr\u00f4nica do Condenado e<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>a Terra Dividida \u2013 Parte 1 de 2<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cOs Miser\u00e1veis\u201d de Victor Hugo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil de 2026, onde o Planalto brilha como um farol de promessas partidas, h\u00e1 uma terra dividida entre os que dan\u00e7am sob o sol e os que carregam o peso de correntes invis\u00edveis. No cora\u00e7\u00e3o dessa na\u00e7\u00e3o, vive Jean Valjean, um homem que, como em <strong>Os Miser\u00e1veis<\/strong> de Victor Hugo, foi condenado por um delito que n\u00e3o explica sua alma. Ele roubara um p\u00e3o \u2013 ou, no Brasil, talvez um saco de feij\u00e3o \u2013 para alimentar os famintos, mas o sistema (pervertido), cego como Javert, o careca-perseguidor implac\u00e1vel, marcou-o com um n\u00famero: 24601 (hoje 22). Aqui, no Planalto, ele \u00e9 o <strong>\u201cidiota\u201d<\/strong> que acredita num Brasil unido, mesmo ap\u00f3s ser esfaqueado \u2013 uma facada que n\u00e3o o matou, mas deixou cicatrizes na carne e na alma e uma vida quase destro\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cO Grande Gatsby\u201d de Scott Fitzgerald.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil de hoje \u00e9 um palco onde o esfaqueado Valjean caminha entre sombras de outros romances. De um lado, h\u00e1 os que, como Jay Gatsby, de <strong>O Grande Gatsby (1925)<\/strong> de F. Scott Fitzgerald, perseguem um sonho verdejante de riqueza e poder, construindo pal\u00e1cios de ostenta\u00e7\u00e3o entre viagens nababescas. Eles s\u00e3o os l\u00edderes que prometem \u201caux\u00edlios sociais\u201d como moedas brilhantes, jogadas ao povo enquanto constroem suas pr\u00f3prias West Eggs em Bras\u00edlia. Esses aux\u00edlios, como o dinheiro de Gatsby, compram lealdade, mas n\u00e3o amor; alimentam algumas bocas, mas n\u00e3o esperan\u00e7as. Do outro lado, h\u00e1 os que, como Hester Prynne, de <strong>A Letra Escarlate (1850)<\/strong> de Nathaniel Hawthorne, carregam uma marca de vergonha \u2013 uma tornozeleira eletr\u00f4nica, talvez, ou o peso de um julgamento sem j\u00fari, onde o acusador \u00e9 investigador-pol\u00edcia-minist\u00e9rio p\u00fablico-juiz-executor-e-carrasco. Eles s\u00e3o os ex-l\u00edderes, outrora idolatrados, agora expostos em pra\u00e7a p\u00fablica, com seus pecados tatuados em letras vermelhas nas manchetes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cA Letra Escarlate\u201d de Nathaniel Hawthorne.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Valjean, nosso condenado, persiste. Ele foi julgado sem defesa, sua vida dissecada por tribunais que confundem justi\u00e7a com vingan\u00e7a, deturpando todos os preceitos b\u00e1sicos e constitucionais, enquanto envergam o manto sombrio da corrup\u00e7\u00e3o e da ideologia partid\u00e1ria. A facada que sofreu \u2013 talvez numa esquina de campanha, talvez num p\u00falpito virtual \u2013 n\u00e3o o derrubou, mas o marcou como um p\u00e1ria. Ainda assim, acreditam seus carrascos, como no romance, ele \u00e9 o homem que transforma sua dor em a\u00e7\u00e3o, ajudando os Cosettes da na\u00e7\u00e3o \u2013 os jovens que sonham com um futuro al\u00e9m das favelas, mas s\u00e3o presos por um sistema que os ignora e privilegiam o cotista e n\u00e3o o m\u00e9rito.&nbsp; <strong>Nota<\/strong>: Leia o t\u00e9rmino dessa cr\u00f4nica na pr\u00f3xima semana.<\/p>\n\n\n\n<p>2026.10.13 A Cr\u00f4nica do Condenado e a Terra Dividida 1 \u2013 Edson Olimpio<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00f4nicas &amp; Agudas \u2013 Jornal Opini\u00e3o de Viam\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cr\u00f4nica do Condenado e a Terra Dividida \u2013 Parte 1 de 2 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cOs Miser\u00e1veis\u201d de Victor Hugo. 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