As Formigas da Faxina! Parte 1
Verão com Bom Humor.
Há um ditado (não deitado!) popular aqui no Garrão do governo “Leitoso” do Brasil que avisa: Não mexe com que tá quieto! Pois é, foi publicar os causos das formigas e do areal da Faxina que as mensagens pipocaram.
1ª – “Meu tio contava de uma vez que ele estava na casa do avô, na Faxina, e o vô plantava mandioca e fazia farinha. Dizia ser a melhor farinha dessa banda. E o avô tinha ganhado uma lanterna alemã de um engenheiro do governo que estava lá medido a estrada para a praia. Era uma época difícil de conseguir pilhas novas, mas ele encomendava na Casa Veiga defronte a Praça da Borracheira (Centro Histórico). Quando as pilhas estava fracas ele dava uma esquentada na chapa do fogão.
E não foi que um dia a lanterna sumiu. Procuraram pra tudo que é lado e nada. Como meu tio andou pegando a lanterna sem pedir, recebeu a culpa. Tem uma estória dum tal de fogo assombrado que aparece pelo campo e diziam ser almas penadas ou depenadas se fosse hoje. Conhece? Pois é. Uma noite, escura que nem um breu, noite de desentocar rinchão a paulada, caçar lobisomem e escutar griteiro de bruxa, apareceu uma luz que acendia e apagava no meio da roça de mandioca. O pessoal se trancou dentro de casa e se armou de facão e garrucha. Meu tio pegou uma foice.
De dia, só umas covas no areal que parecia buraco de tatu. E aquilo se repetiu e até o padre veio benzer. Teve uma noite que a luz acendia dentro da atafona do vô e até a pedra de moer fez barulho. Edinho de Deus, aí foi feio. Mandaram as mulheres e as crianças pra vila (Viamão). A Brigada arriou e se mixou. Teve taura que fedeu nas bombachas. Mandaram uns cavaleiros na fazenda do velho Serapião. Sabe que Goulart tem mão grande. Desse convocado a mão era do tamanho de um disco de arado. Eles juravam de verdade.
Valente uma barbaridade. Uma vez, o boi da carreta empacou e era boi de gênio malévo (ruim) como correntino (argentino de Corrientes). Ele se reminou (embrabeceu) e deu um soco na cabeça do boi, naquela zona morta entre as duas aspas. O bicho bufou e se ajoelhou, como quem pede perdão. E nunca mais se aventurou de empacar. Quando pensava em ameaçar, olhava pros lado pra ver se o Goulart estava por perto. Pegou prumo.
Mais voltemo ao causo! E o homem se veio para a fazendola do vô e armou plantão de noite. Com aquele soco nem precisava de outras armas. E foi lá pela meia madrugada, um bugio roncou na figueira e a luz piscou nas toiceras (touceiras).
O Goulartão saltou como bote de onça. Chegando no beira do mato, devia ter umas 50 formigas. Uma delas era do tamanho de um cachorro fox. Ela segurava a lanterna e as outras carregam coisas para dentro das tocas. Dizem que ficaram se encarando quase meia hora, até que as formigas largaram a lanterna e se enfiaram nas tocas. Arriaram a bandeira pro Goulartão. Se tudo é verdade ou uma parte eu não sei, mas esse causo era contado na minha família.”
Pelo sim, pelo não. Vi, eu não vi. As testemunhas do sucedido já estão fazendo farinha no céu.
2026.01.27 – As Formigas da Faxina 1
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas