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A Crônica do Condenado e a Terra Dividida – Parte 2 – Final 2026.10.20

No Brasil, esses são os que dependem de auxílios sociais para sobreviver ou se aboletarem no ócio ou observados na vagabundagem por quem sustenta essa cotas.  Enquanto os poderosos, como os Thénardier de Hugo, exploram a miséria alheia, transformando esmolas em votos, enquanto abastecem cofres malditos.

“1984” de George Orwell

No Planalto, a liberdade é um espelho quebrado. De um lado, há os que, como Winston Smith, de 1984 de George Orwell, tentam gritar verdades contra o Grande Irmão do poder – mas suas vozes são abafadas por artistas corrompidos, mídia mal cheirosa e lives que celebram a divisão. Winston é o ativista, o jornalista, o cidadão que posta e é silenciado por multidões orquestradas. De outro, há os que, como Raskólnikov, de Crime e Castigo de Dostoiévski, justificam seus crimes com ideologias, acreditando que o fim – poder, revolução, ou redenção – justifica os meios. Eles são os que manipulam auxílios sociais como armas, comprando consciências enquanto falam de justiça.

            “Crime e Castigo” de Dostoiévski

E há Valjean, o “idiota” que insiste em acreditar. Ele vê os protestos nas ruas, as hashtags, as promessas de um Brasil renovado. Ele pergunta, como Míchkin: “Por que brigamos, se todos queremos o mesmo sol?” Mas o Planalto não é gentil com os que sonham. Aqui, a justiça é um Javert incansável, perseguindo sem piedade, enquanto a liberdade plena é reservada aos que dominam o jogo – os que, como Atticus Finch, de O Sol é para Todos de Harper Lee, defendem os inocentes, mas são vencidos pelo preconceito e pela indiferença.

            “O Sol é para Todos” de Harper Lee

No fim, Valjean não é apenas um homem; é um símbolo. Talvez seja um juiz que enfrenta a máquina do poder, um ativista que marcha contra a corrente, ou um cidadão comum que, apesar das cicatrizes, ainda acredita na democracia. Como em Os Miseráveis, sua bondade pode não salvar a todos. A terra dividida continua a sangrar, consumida por auxílios que escravizam e divisões que inflamam. Mas Valjean, o condenado, carrega uma chama: a esperança de que, mesmo num Brasil de 2026, marcado por facadas e injustiças, a redenção é possível – não pelo poder, mas pela persistência de um “idiota” que ainda sonha com um povo unido.

Explicação da Escolha e Estrutura

Jean Valjean é o núcleo perfeito para essa crônica, pois sua jornada em Os Miseráveis espelha a vida de alguém injustamente condenado, perseguido e marcado, mas que persiste em acreditar na bondade e na redenção – traços que ressoam com o Míchkin da crônica original. A facada e as sequelas mencionadas são metaforizadas como as perseguições e cicatrizes de Valjean, enquanto os “auxílios sociais” são retratados como ferramentas de manipulação, semelhantes às esmolas dos Thénardier. Outros personagens, como Gatsby, Hester, Winston, Raskólnikov e Atticus, foram escolhidos para refletir facetas do Brasil de 2026: a ostentação, a culpa pública, a resistência silenciada, a moral ambígua e a luta por justiça.

A alegoria mantém o tom literário e crítico da crônica original, mas com uma nova camada de indignação contra a injustiça e a manipulação, centrada em Valjean como o “idiota” que persiste na esperança.

2026.10.20 – A Crônica do Condenado e a Terra Dividida

Eds Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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Para criar uma nova crônica que ecoe a profundidade de “A Crônica do Príncipe e o Planalto” e retrate o Brasil de 2026 como um palco de divisões, injustiças e sonhos de redenção, escolho como personagem central Jean Valjean, de Os Miseráveis(1862) de Victor Hugo. Valjean, um homem condenado por um crime menor (roubar um pão para alimentar a família), perseguido por um sistema implacável e transformado por sua crença na redenção, é um “idiota” no sentido de alguém que persiste na bondade e na fé em um mundo melhor, mesmo quando o mundo o esfaqueia – literalmente ou metaforicamente. Ele é julgado sem verdadeira justiça, marcado por um sistema que não esquece seu passado, mas ainda assim busca salvar os outros, como Míchkin. A crônica abaixo tece Valjean com outros personagens de romances notáveis, criando uma alegoria que reflete o Brasil de 2026, com suas divisões, auxílios sociais manipulados e a perseguição de um idealista.

A Crônica do Condenado e

a Terra Dividida – Parte 1 de 2

            “Os Miseráveis” de Victor Hugo.

No Brasil de 2026, onde o Planalto brilha como um farol de promessas partidas, há uma terra dividida entre os que dançam sob o sol e os que carregam o peso de correntes invisíveis. No coração dessa nação, vive Jean Valjean, um homem que, como em Os Miseráveis de Victor Hugo, foi condenado por um delito que não explica sua alma. Ele roubara um pão – ou, no Brasil, talvez um saco de feijão – para alimentar os famintos, mas o sistema (pervertido), cego como Javert, o careca-perseguidor implacável, marcou-o com um número: 24601 (hoje 22). Aqui, no Planalto, ele é o “idiota” que acredita num Brasil unido, mesmo após ser esfaqueado – uma facada que não o matou, mas deixou cicatrizes na carne e na alma e uma vida quase destroçada.

            “O Grande Gatsby” de Scott Fitzgerald.

O Brasil de hoje é um palco onde o esfaqueado Valjean caminha entre sombras de outros romances. De um lado, há os que, como Jay Gatsby, de O Grande Gatsby (1925) de F. Scott Fitzgerald, perseguem um sonho verdejante de riqueza e poder, construindo palácios de ostentação entre viagens nababescas. Eles são os líderes que prometem “auxílios sociais” como moedas brilhantes, jogadas ao povo enquanto constroem suas próprias West Eggs em Brasília. Esses auxílios, como o dinheiro de Gatsby, compram lealdade, mas não amor; alimentam algumas bocas, mas não esperanças. Do outro lado, há os que, como Hester Prynne, de A Letra Escarlate (1850) de Nathaniel Hawthorne, carregam uma marca de vergonha – uma tornozeleira eletrônica, talvez, ou o peso de um julgamento sem júri, onde o acusador é investigador-polícia-ministério público-juiz-executor-e-carrasco. Eles são os ex-líderes, outrora idolatrados, agora expostos em praça pública, com seus pecados tatuados em letras vermelhas nas manchetes.

            “A Letra Escarlate” de Nathaniel Hawthorne.

Valjean, nosso condenado, persiste. Ele foi julgado sem defesa, sua vida dissecada por tribunais que confundem justiça com vingança, deturpando todos os preceitos básicos e constitucionais, enquanto envergam o manto sombrio da corrupção e da ideologia partidária. A facada que sofreu – talvez numa esquina de campanha, talvez num púlpito virtual – não o derrubou, mas o marcou como um pária. Ainda assim, acreditam seus carrascos, como no romance, ele é o homem que transforma sua dor em ação, ajudando os Cosettes da nação – os jovens que sonham com um futuro além das favelas, mas são presos por um sistema que os ignora e privilegiam o cotista e não o mérito.  Nota: Leia o término dessa crônica na próxima semana.

2026.10.13 A Crônica do Condenado e a Terra Dividida 1 – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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O Astrolábio da China Virada! 2026.10.06

A Lábia, o Brete e a Bússola do Povo!

Buenas, vivente! Que o teu mate esteja bem cevado e a água no ponto de chimarrão. Estava aqui matutando sobre o causo das eleições, misturando as poeiras do pampa com os ventos lá da Hélade antiga. É bem como sabemos: na hora de ir às urnas, muita gente empurra o lombo para o brete já escutando o baque da marreta do açougueiro, com uma mansa resignação que dá dó no espírito. E não é por falta de aviso que se entrega por uma picanha fedida e uma cerveja quente e falsificada.

Parece que os políticos de plantão têm o dom ancestral de encilhar a mentira com pelego de veludo. Na Grécia antiga, essa lábia desenfreada tinha nome de gente fina: Peitho, a deusa da persuasão que não pedia bênção à verdade Era casada com Hermes, o padroeiro tanto da eloquência quanto dos tranqueiras e dos gatunos – ladrão é ladrão, não tem cura e nem salvação (flor de rima!). Quando ela se junta com Apaté — a mestra do engano que faz o erro brilhar mais que ouro de lantejoula — e com o Dolos (pensou em Boulos?) das artimanhas, o estrago tá feito. O cidadão vai pro palanque ouvindo promessas que nem ginetear um potro xucro sem freio, vota no lisonjeiro e, no outro dia, acorda atolado até as pestanas no chiqueiro da desilusão. É a velha história de trocar o boi gordo por uma promessa de touro reprodutor que nunca chega à invernada.

Mas Bah! O que nos vale nessa hora não é GPS de cidade grande, nem tela de celular sem sinal no meio do banhado. Para não perder o rumo e a dignidade, o vivente precisa puxar o astrolábio da alma gaúcha, olhar para as estrelas do bom senso e puxar o freio de mão na esperteza alheia. Lembremos do Ataulfo Alves em Laranja Madura “na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé”. “Santo que vê muita esmola na sua sacola, desconfia e não faz milagres não”. 1986 – Lula elegeu-se Deputado Federal Constituinte por São Paulo e já bem antes tecia os mesmos discursos e propostas, maquiando-as ao momento. E os outros presidenciáveis? Nenhum teve tantos anos para se mostrar num governo como o carcará.

O astrolábio ou a bússola do gaúcho véio não tem bateria e nem precisa de satélite. Ele se compõe de três marcos firmes:

A Desconfiança Campeira: Já dizia o ditado que promessa de político em palanque é como nuvem do norte: ou chove ou não molha, mas quase sempre venta maldade. Antes de acreditar em conversa mansa, olhe os rastros. Quem vive de promessa dorme de bota e acorda descalço.

A Memória da Estribeira: Povo que esquece o passado é gado que volta para o curral do mesmo matador. Não adianta trocar a sela se o cavalo é o mesmo manco. A dignidade não se negocia no balcão da barganha eleitoral por promessa de palanque.

O Fator Cívico e a Bússola do Dever: A verdadeira liberdade não cai do céu como fruto maduro. Ela exige que a gente tire os olhos da tela eletrônica da ilusão e olhe para o chão que pisamos. O poder verdadeiro não está na mão do rei de plantão, mas na força soberana de quem não se dobra e não se vende por um naco de ilusão ou o cabresto de uma bolsa, senão garroteado até as entranhas da corrupção.

Portanto, meu amigo, quando a lábia de Peitho tentar te enfeitiçar na esquina da urna, faça como o gaúcho prudente diante de um temporal de vento sul: aperte o poncho, segure firme a guampa do teu discernimento e lembre que bússola boa é aquela que aponta para a liberdade, não para o cabresto. Num tempo que “40 dinheiros” são convertidos em “bolsas” de todo gênero e estímulo ao ócio que flui para a vagabundagem e perda da dignidade, não se precisa de muitos argumentos além do que o espírito vê fluir no esgoto da vida pública.

Fundamentos! Atravessamos ou estamos afundando irremediavelmente como o Titanic nesses piores tempos do Brasil. Um Supremo Tribunal… Um Congresso… Entidades de Estado… Crime organizado… Terrorismo… Não use de rótulos apenas. Faça seu diagnóstico e escolha o seu caminho, lembrando que outros serão arrastados por suas decisões!

Z67 2026.10.06 – O Astrolábio da China Virada – Eds Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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O Astrolábio da China Virada:

A Lábia, o Brete e a Bússola do Povo! 2026.10.06

Buenas, vivente! Que o teu mate esteja bem cevado e a água no ponto de chimarrão. Estava aqui matutando sobre o causo das eleições, misturando as poeiras do pampa com os ventos lá da Hélade antiga. É bem como sabemos: na hora de ir às urnas, muita gente empurra o lombo para o brete já escutando o baque da marreta do açougueiro, com uma mansa resignação que dá dó no espírito. E não é por falta de aviso que se entrega por uma picanha fedida e uma cerveja quente e falsificada.

Parece que os políticos de plantão têm o dom ancestral de encilhar a mentira com pelego de veludo. Na Grécia antiga, essa lábia desenfreada tinha nome de gente fina: Peitho, a deusa da persuasão que não pedia bênção à verdade Era casada com Hermes, o padroeiro tanto da eloquência quanto dos tranqueiras e dos gatunos – ladrão é ladrão, não tem cura e nem salvação (flor de rima!). Quando ela se junta com Apaté — a mestra do engano que faz o erro brilhar mais que ouro de lantejoula — e com o Dolos (pensou em Boulos?) das artimanhas, o estrago tá feito. O cidadão vai pro palanque ouvindo promessas que nem ginetear um potro xucro sem freio, vota no lisonjeiro e, no outro dia, acorda atolado até as pestanas no chiqueiro da desilusão. É a velha história de trocar o boi gordo por uma promessa de touro reprodutor que nunca chega à invernada.

Mas Bah! O que nos vale nessa hora não é GPS de cidade grande, nem tela de celular sem sinal no meio do banhado. Para não perder o rumo e a dignidade, o vivente precisa puxar o astrolábio da alma gaúcha, olhar para as estrelas do bom senso e puxar o freio de mão na esperteza alheia. Lembremos do Ataulfo Alves em Laranja Madura “na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé”. “Santo que vê muita esmola na sua sacola, desconfia e não faz milagres não”. 1986 – Lula elegeu-se Deputado Federal Constituinte por São Paulo e já bem antes tecia os mesmos discursos e propostas, maquiando-as ao momento. E os outros presidenciáveis? Nenhum teve tantos anos para se mostrar num governo como o carcará.

O astrolábio ou a bússola do gaúcho véio não tem bateria e nem precisa de satélite. Ele se compõe de três marcos firmes:

A Desconfiança Campeira: Já dizia o ditado que promessa de político em palanque é como nuvem do norte: ou chove ou não molha, mas quase sempre venta maldade. Antes de acreditar em conversa mansa, olhe os rastros. Quem vive de promessa dorme de bota e acorda descalço.

A Memória da Estribeira: Povo que esquece o passado é gado que volta para o curral do mesmo matador. Não adianta trocar a sela se o cavalo é o mesmo manco. A dignidade não se negocia no balcão da barganha eleitoral por promessa de palanque.

O Fator Cívico e a Bússola do Dever: A verdadeira liberdade não cai do céu como fruto maduro. Ela exige que a gente tire os olhos da tela eletrônica da ilusão e olhe para o chão que pisamos. O poder verdadeiro não está na mão do rei de plantão, mas na força soberana de quem não se dobra e não se vende por um naco de ilusão ou o cabresto de uma bolsa, senão garroteado até as entranhas da corrupção.

Portanto, meu amigo, quando a lábia de Peitho tentar te enfeitiçar na esquina da urna, faça como o gaúcho prudente diante de um temporal de vento sul: aperte o poncho, segure firme a guampa do teu discernimento e lembre que bússola boa é aquela que aponta para a liberdade, não para o cabresto. Num tempo que “40 dinheiros” são convertidos em “bolsas” de todo gênero e estímulo ao ócio que flui para a vagabundagem e perda da dignidade, não se precisa de muitos argumentos além do que o espírito vê fluir no esgoto da vida pública.

Fundamentos! Atravessamos ou estamos afundando irremediavelmente como o Titanic nesses piores tempos do Brasil. Um Supremo Tribunal… Um Congresso… Entidades de Estado… Crime organizado… Terrorismo… Não use de rótulos apenas. Faça seu diagnóstico e escolha o seu caminho, lembrando que outros serão arrastados por suas decisões!

Z67 2026.10.06 – O Astrolábio da China Virada – Eds Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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A Crônica do Príncipe e o Planalto! 2026.09.29

A brutal situação de um país doente e gangrenado  desde a coluna máster da INjustiça…

Em um reino tropical, onde o sol brilha sobre florestas e favelas, havia um Planalto que pulsava como o coração de uma nação. Lá, entre palácios de concreto e intrigas sussurradas, vivia um homem chamado Míchkin, um príncipe de alma pura, cuja bondade desarmava até os mais cínicos. Como no ‘O Idiota’ de Dostoiévski, Míchkin acreditava na verdade e na compaixão, mas o Planalto era um tabuleiro de xadrez onde peões sonhavam ser reis, e reis temiam ser peões. Nesse meio, o cidadão trabalhador e pagador de impostos sustentava vagabundos e corruptos numa sangria interminável.

Brasil e Dostoiévski.

No Brasil de hoje, o Planalto ecoa a São Petersburgo de Dostoiévski, uma arena de vaidades e poder. De um lado, há os que dançam em liberdade plena, como Rogózhin, o impulsivo, cuja paixão pela riqueza e influência o faz oscilar entre o heroísmo e a destruição. Eles são os líderes que, com discursos inflamados, prometem salvar a nação enquanto acumulam seguidores e privilégios. De outro, há os que carregam tornozeleiras, como Nastássia Filíppovna, presos a um destino que os marca como vilões, mas que ainda atraem olhares de fascínio ou ódio. No Brasil, esses são os perseguidos que, outrora no topo, agora enfrentam a INjustiça, confinados por decisões malignas que ecoam como trovões em Brasília.

Os intocáveis do Brasil trazem a “lepra” da corrupção,

da roubalheira, e da INjustiça.

Míchkin, nosso príncipe, caminha entre esses extremos. Ele vê um país onde a liberdade é um luxo para poucos. Os poderosos, como os generais Epantchín do romance, desfilam em jantares e redes sociais, intocados pelas crises que assolam os ‘outros’. Enquanto isso, os “idiotas” – aqueles que ousam falar verdades simples, como Míchkin – são ridicularizados ou silenciados. No Planalto, a liberdade é um espelho que reflete apenas quem está no poder. Um ex-líder, outrora celebrado, agora usa uma tornozeleira, lembrando que a INjustiça, como a epilepsia de Míchkin, surge em convulsões imprevisíveis.

A chantagem política e o adubo da vagabundagem e

do crime misturado com terrorismo.

A crônica do Brasil é uma dança de máscaras. Há quem, como Gânia, troque princípios por promessas de ascensão, alinhando-se com o governo ou a oposição conforme o vento sopra. Há os que, como Ippolit, gritam contra a hipocrisia, mas são ignorados, suas vozes abafadas pelo barulho das redes sociais. E há Míchkin, o idiota, que insiste em acreditar que a verdade pode unir um povo dividido. Ele vê os protestos, as manchetes, as lives, e pergunta: “Por que brigamos tanto, se todos queremos o mesmo sol?”

A podridão se perpetua pelo poder criminoso que nasce na sociedade, cresce na política e deseja se eternizar na INjustiça.

No romance, Míchkin não salva ninguém; sua bondade é tragédia. No Brasil, o príncipe talvez seja um ativista, um juiz, ou apenas um cidadão que ainda acredita na democracia, na honra, na ética e na sagrada liberdade de expressão. Mas o Planalto não é gentil com idiotas. Aqui, a liberdade plena é para os que dominam o jogo, enquanto outros, presos por correntes ou tornozeleiras, assistem ao baile de longe. E, no fim, como em Dostoiévski, talvez o idiota seja o único que enxerga o que realmente importa: um país que, apesar de tudo, ainda sonha com redenção. Conseguirá? O caminho da redenção começa e passa pela sua consciência e atitude nas eleições de outubro! Jamais esqueça ou subestime, você e cada um de nós é responsável.

Z 2026.09.29 – A Crônica do Principe e do Planalto

Eds Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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A Trindade “Fatal”! 2 – Final | 2026.09.22

Iodo – Mercurocromo – Mertiolate

Segue o baile, gaiteiro! Uma época heroica desse Edinho do Cabeleira. O iodo era cor “marrom barro”, trazia uma sentimento de punição severa, depois passou mais para uso hospitalar. O mercúrio cromo trazia o vermelho do grito engolido. Mudo. Trazia um sentimento de alívio e de heroísmo, de macho uma barbaridade. E o mertiolate transparente como água de poço, trazia a mensagem de traição e triste agonia; hoje, reformulado por clorexidina – não arde (nem cheira!).

O Veredito do Gaúcho, bagual desde guri.

Somos sobreviventes. Entre uma carreira atrás de uma “largatixa” (filhote de “cocodrilo”), um tombo de bicicleta na Lomba da Paciência ou do Fiuza, ou uma topada no futebol, fomos batizados, abençoados (?) por esses elixires milagrosos. Atestado para a vizinhança, para os colegas de escola, para as gurias bonitas que a gente não se mixava por pouco. Mesmo numa peleia feia barbaridade, o vivente não arreia e segue de pé. Muita piazada de hoje é tudo spray, indolor e cheirinho de florzinha.

Saudosa época em que a gente era curado no grito e no carinho bruto (?) das mães, que assopravam a ferida enquanto a gente via o céu estrelado ao meio dia. “Fez arte! Desobedeceu! Agora aguenta.” Quantas vezes, sofria com os “graves ferimentos”, mais castigos e até chineladas?

Reviver é Viver Novamente! Como ver o Sol nascer num oceano de Memórias.

Fico faceiro uma barbaridade se essas memórias, esses retratos de um tempo que o guri brincava e corria pelas ruas e campinhos de futebol despreocupado, também os pais, com o banditismo desenfreado e as “vítimas da sociedade” acobertadas por um injustiça absurda e cruel e uma política de direitos do bandido e deveres da vítima..

Um entrevero na saída da escola ou no campinho de futebol trouxe esse refresco para a alma. Honrando um tempo em que se era feliz por pouco. Muito pouco! E corajoso por obrigação, pois sobrevivemos à tríade “fatal”. Reavivando o sorriso maneiro de quem não se mixa por pouco (?), trazendo a foto na memória de um joelho ralado e pintado de mercurocromo, vermelho em brasa. O vivente ainda arrotava que tinha sangrado muito, um sangue de batalha, e o doutor do Hospital de Caridade, quis dar um monte de pontos, mas o valente não sujou a bombacha.

A casca que se formava era como um brasão de coragem, que anotava outra façanha – furungar, mexer e até arrancar a casca da ferida.

Conclusão Sagrada.

Um brinde à nossa história. Pela coragem inaudita de enfrentar o algodão ou a raquete com mertiolate. Pelo nosso estilo com os joelhos pintados de vermelho. E pela sobrevivência, pois as curas doíam mais, muito mais mesmo, que os tombos e peleias. Que os amigos e amigas se encontrem, seja laçados pelo amor dessas memórias e sejam novamente “heróis” desses tempos.

Minha querida mãe, a Dona Dora, deve estar rindo comigo nesses instantes sagrados. Creio que a sua mãe também. Creio, tenho certeza de que doía muito mais nela do que em mim ao enfrentar a “tríade fatal”. Hoje eu sei!

Z36 2026.09.22 – A Tríade Fatal 2 – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

HISTÓRIA da MEDICINA

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A Trindade “Fatal”! Parte 1 | 2026.09.15

Iodo – Mercurocromo – Mertiolate

Outro dia, garimpando no galpão da memória, lembrei-me duma época em que joelhos ralados eram medalhas de vitórias e coragem e a caixa de “primeiros socorros” mais lembrava um kit de tortura medieval ou até um estojo de pintura de guerra. A gente procurava a bronca, tombo feio que a pele ficava no cascalho, mas o pavor real, verdadeiro, não era o sangue: era a voz da mãe e a tarraxa do vidro destampando. Sem embromar mais, vamos destrinchar essa “santíssima trindade do ardor, com pingos de ciência e gotas de saudade.

O Iodo – A Cor da Terra e o Grito Saltando do Peito.

            O iodo era o pai dos antissépticos. Uma solução de iodo e iodeto de potássio em álcool que deixava uma mancha marrom-terra na pele, como se a gente tivesse sido marcado a ferro e brasa como um novilho no curral. Pingo de Ciência: O iodo é um agente oxidante poderoso. Ele entrava na ferida e saía “aniquilando” membranas de bactérias, fungos e qualquer forma de vida — inclusive as tuas células saudáveis. Por isso aquela sensação de que a perna estava pegando fogo. Pontaços de Drama: Passar iodo era um rito de passagem. A mancha escura demorava dias para sair, e a gente andava pela rua com o joelho parecendo um pedaço de charque esquecido no sol. Se o vivente não desse um grito de “prossigo” para o céu, não era humano.

            O Mercúrio Cromo – O Encarnado de uma Pintura de Guerra Guarani.

            Ah, o bem amado, o queridinho da gurizada! O Mercurocromo (Merbromina) era o alento do piá que já estava com os olhos lacrimejantes. Ele não ardia. Era um líquido de um vermelho vivo, quase fosforescente, que transformava qualquer arranhão numa ferida aberta cinematográfica de matiné de domingo. Pingo de Ciência: Sua base era o mercúrio e o bromo. Ele impedia a proliferação de bactérias, mas tinha um defeito: era um antisséptico fraco perto dos outros e, claro, levava mercúrio na composição. Traiçoeiro Desuso: O bicho caiu em desuso (e foi proibido pela Anvisa no início dos anos 2000) porque o mercúrio é cumulativo no corpo e tóxico para o meio ambiente. Além disso, aquela cor de “sangue falso” mascarava infecções; não se conseguia ver se o machucado estava inflamado ou se era só o brilho do remédio. O Cinema: O guri saía de casa pintado de vermelho como se tivesse enfrentado uma tropa inteira, mas estava faceiro porque a “cura” não tinha cobrado o imposto da dor.

            O Mertiolate – O Supremo “Capeta” Transparente.

            Se o iodo era o fogo e o mercúrio era a paz, o Mertiolate (Timerosal) era a traição pura e simples. Ele parecia água, transparente e inofensivo no vidro. Mas bastava uma gota encostar no “pisado” para a alma sair do corpo, dar três voltas no rancho e voltar soltando faísca. Pingo de Ciência: O composto original levava timerosal (outro derivado de mercúrio) em uma base altamente alcoólica. Era o álcool tocando os nervos expostos que fazia o guasca pular mais que cavalo sob espora de prata. A Revolução – a Paz Farroupilha: Nos anos 90, o Mertiolate mudou a fórmula. Tiraram o mercúrio e o álcool, e ele virou “o que não arde”. Para a nossa geração, aquilo soou como uma heresia! Um Mertiolate que não dói? É como um chimarrão frio: perde a razão de ser. O Trauma de Guerra: O “medo por antecipação” era real. A gente via a mãe vindo com o algodão e já começava a benzer o corpo, sabendo que a ardência ia ser de “tirar o couro”.

Recuerdos desse Cronista e Médico que já foi guri medonho em Viamão City. Concluo na próxima jornada, pealando as memórias e trazendo-as para a Estância da Saudade!

Z35  2026.09.15 – A Trindade Fatal 1

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

HISTÓRIA da MEDICINA

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Corpos sem Alma! Desalmados. | 2026.09.08

Comum escutar-se ou até com o dedo em riste, como espada: “Criatura desalmada”. Alguém ruim, maligna até, ou que nada a faz se compadecer, pior que não ter coração – não tem a alma. Não possui a essência vital de Deus. Um corpo que faz tudo que outros fazem, mas seu âmago é vazio ou sem a evolução necessária. Em várias civilizações, muitos povos, culturas e religiões há essa observação. Vamos campear pelo gauchismo num fogo de chão ou numa roda de mate, tendo o estoicismo como rédea, a espiritualidade como horizonte e a linguagem simples, aberta como coração de mãe para quem quiser se achegar ao fogo esclarecedor.

O Churrasco e o Vazio.

Qualquer piá sabe a diferença entre carne e osso, entre o que sustenta e o que engana. Tem criatura assim: aparenta sustância, mas quando se corta, não alimenta. É só vazio, um oco. Nesse mundão modernoso (um potreiro cercado de telas e de pressa) circulam pessoas que falam, trabalham, mandam e consomem, mas não aquecem ninguém ao redor. Vampiros! Sempre famintas mesmo na fartura. Se achegam como quem pede sal, mas saem levando o calor do fogo e a paz da roda. Os antigos chamavam de “gente sem alma”. Nomes diversos em várias tradições: arcontes, jinns, asuras, klipot, fantasmas famintos. Todos com o mesmo traço: vivem do que não produzem, alimentam-se do medo alheio, da raiva, da ansiedade. Num ano político: observe e diga aquilo que vem de primeiro à mente.

O estoico diria que não adianta odiá-los. O ódio também os nutre. O caminho é outro: não entregar a própria chama vital, não discutir com o vento, não exigir que a noite vire dia. Cada um guarde o seu fogo, como no churrasco o gaudério protege o braseiro do vento e da chuva inútil. O problema não é somente no número de vazios, risco há quando esquecem de mantê-los cheios. Condenados são recompensados nesse mundo, liberados por seus iguais…

Quando o Mundo Esfria!

E está esfriando, piorando. O mundo evolui em tecnologia, mas a alma não cresce nessa balada reta. A alma cresce em silêncio, com responsabilidade e ética. Mas no Brasil, os vazios parecem maioria. Sim ou não? Textos antigos chamavam de períodos de decadência, fim de ciclo, tempos sombrios. Não porque o mundo acaba, mas porque o espírito se distrai(?) e quando prospera no homem que não sente peso na consciência, nem gratidão no peito. Ele sobe, manda muito, mas deixa tudo mais frio por onde passa. Conhece alguém assim?

O gaúcho, o campeiro dos pampas, sabe: campo abandonado vira macega. Sem cuidado qualquer terra endurece, como o coração. Geralmente não é possessão demoníaca, é, talvez, a desistência silenciosa da própria alma. O vivente troca o ser pelo parecer, o sentido pelo ganho, o silêncio pelo berro, gritaria. A espiritualidade madura não caça monstros invisíveis. Manda vigiar o próprio fogo – manter honra, palavra, medida, dignidade, principalmente quando não é vigiado. Saber se afastar da roda traiçoeira sem brigar.

O churrasco bem feito não se traduz na quantidade de carne, o valor, aquilo que realmente importa, está no calor verdadeiro que sustenta a vida em volta. Não soltar a ponta da corda. Não arriar a bandeira. Jamais aceitar cabresto dessas criaturas “desalmadas” que usam pessoas como cama e escada para se sustentarem na volúpia do poder. E são eleitos e reeleitos. Repetem os mesmos crimes, assim como seus acólitos.

Z17 2026.09.08 – Corpos sem Alma – Desalmados

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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O Voo da Fome e a Cal das Estátuas! 2026.08.01

Reflexões sobre a Natureza e o Poder

A história é frequentemente escrita com sangue, mas, por vezes, é desenhada pelo silêncio dos céus. Entre 1958 e 1962, a China de Mao Tsé-Tung tentou domar a biologia com decretos políticos. Ao rotular o pardal-montês como um “inimigo do povo” por consumir quatro quilos de grãos ao ano, o Grande Timoneiro não apenas ordenou um extermínio; ele assinou a sentença de fome para mais de 30 milhões de almas. O barulho das panelas, que impedia as aves de pousar até caírem mortas de exaustão, foi o prelúdio de um desequilíbrio ecológico onde gafanhotos, sem o seu predador natural, devoraram o que restava da esperança chinesa.

O homem, na sua arrogância de moldar o mundo à sua imagem — seja na industrialização forçada do Grande Salto Adiante ou na purga ideológica da Revolução Cultural e da satanização de opositores —, esquece-se de que a natureza não reconhece fronteiras partidárias nem hierarquias de ditadores. A “limpeza” dos céus resultou numa terra estéril. Anos depois, a China ver-se-ia obrigada a importar pardais da União Soviética. O pássaro, que outrora era praga, tornava-se agora o diplomata necessário para restaurar a vida.

Desta lição de extermínio, surge uma provocação contemporânea: e as nossas pombas? Esses animais que, na realidade bíblica de Noé, trouxeram o ramo de oliveira, ou que na espiritualidade representam o sopro divino, hoje são vistas como vândalos urbanos. Quando uma pomba libera os seus dejetos sobre o bronze frio de um conquistador ou o mármore de um estadista, estaria ela a exercer uma forma de “pichação biológica”? Seria o ato de excretar uma profanação deliberada da glória humana? Sim ou não?

A analogia é tentadora. Se perseguimos o pichador humano que utiliza o spray ou o batom para marcar a sua existência ou o seu protesto no patrimônio público, por que hesitamos na métrica aplicada às aves? O encarceramento ou o extermínio por “ofensa à imagem” das estátuas ignora que o pássaro não distingue entre a cabeça de um tirano e o galho de uma acácia. Para a pomba, a estátua é apenas solo ou um campo de pouso; para o humano, a estátua é ego. Perseguir o pássaro pelo seu rastro é, talvez, o ponto máximo da nossa vaidade: a tentativa de policiar até o que é instintivo, na esperança vã de manter imaculada uma história que, tal como a política de Mao, muitas vezes já nasceu manchada.

O Satânico sataniza a quem sua má índole deseja!

No fim, a cal das pombas nas praças e o extermínio dos pardais nos campos ensinam o mesmo: qualquer tentativa de silenciar a natureza — seja pelo ruído das panelas ou pelas grades da estética urbana — acaba sempre por revelar a fragilidade do pedestal onde nos colocamos.  Nota:  Inspirado nos eventos do “Grande Salto Adiante” (1958-1962) e na filosofia das intervenções urbanas – Débora, mulher e mãe, condenada a cerca de 17 anos de prisão. Além da tentativa de destruir a humanidade da pessoa, ameaça com crueldade ideológica a nação.

Z63 2026.08.01 – O Voo da Fome e a Cal das Estátuas

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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O Crepúsculo dos Deuses e a Aurora do Homem!

O Crepúsculo dos Deuses e a Aurora do Homem!

Crônicas & Agudas mostra como uma narrativa revela a humanidade, após ser moída pelas engrenagens da peste e da superstição, acabou encontrando a saída através de uma fresta inesperada: a valorização da vida terrena. Aqui está a crônica do renascimento que brotou dos cemitérios. E a vida ressurge dos destroços! O cenário em 1350 era de um silêncio ensurdecedor. Com um terço da Europa enterrado, sepultado, o sistema feudal — que dependia de servos submissos e de uma igreja inquestionável — começou a apodrecer junto com os corpos. Mas, antes da luz, o caminho passou por uma “medicina” que mais parecia um corredor de tortura – como um “corredor polonês”, no seu amplo sentido. A vida que escapou do cadafalso da Peste Bubônica ou Negra…

1. Curas que eram Condenações.

Na falta de antibióticos, o desespero ditava a prática médica. Se você estivesse infectado, o “tratamento” poderia ser tão letal quanto a bactéria:

  • Sangrias Desenfreadas: Acreditava-se que o sangue estava “corrompido”, então os médicos drenavam o paciente até a anemia profunda, destruindo qualquer chance do sistema imunológico reagir. Foi o corpo se degradando a cada sangria.
  • O Método da Galinha: Uma prática comum era depenar o traseiro de uma galinha viva e aplicá-lo sobre os bulbos ou “bubões” (os gânglios inchados), acreditando que o animal “sugaria” o ‘veneno’.
  • Triaga e Pedras Preciosas: Os ricos bebiam misturas de esmeraldas moídas ou substâncias tóxicas como mercúrio e arsênico. Quem não morria da peste, muitas vezes morria do remédio. Adágio: Ou morre da doença ou morre da cura!
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2. O Chacoalhão Social: O Fim da Servidão.

Aqui ocorre a reviravolta irônica. A morte em massa criou algo raro na Idade Média: a falta de mão de obra. Pela primeira vez em séculos, o camponês que sobreviveu percebeu que seu trabalho valia ouro. Os senhores feudais, desesperados para plantar e colher suas terras, tiveram que oferecer salários e liberdade. A estrutura de “quem nasce servo, morre servo” foi quebrada pelo impacto biológico. A peste, sem querer, foi a grande libertadora dos sobreviventes.

3. Da “Dança Macabra” ao Homem Vitruviano.

A espiritualidade mudou de tom. A arte da época era a Dança Macabra, focada na onipresença da morte. Mas, aos poucos, surgiu um questionamento: “Se a oração não nos salvou, e a medicina antiga falhou, talvez devamos observar o mundo como ele realmente é.” Esse ceticismo saudável foi o adubo vitaminado para o Renascimento. O foco saiu do “céu” (Teocentrismo) e voltou para o “homem” (Antropocentrismo). A anatomia começou a ser estudada seriamente — não mais em textos sagrados, mas abrindo corpos para entender a máquina humana. A dor da perda deu lugar à urgência de viver e criar.

O Saldo do Aprendizado.

A Peste Negra foi o evento mais traumático da história ocidental, mas também o mais transformador. Ela provou que: A natureza não tem favoritos: vírus e bactérias não leem brasões de nobreza. A ciência precisa de método: Sem observação real, a medicina é apenas uma forma lenta de tortura. A crise gera oportunidade: Foi sobre as cinzas da Idade Média que construímos a base da modernidade, da saúde pública e dos direitos individuais.

A humanidade aprendeu, a duras penas, que a melhor forma de honrar os mortos era entender as leis da vida.

Z55 2026.08.25 – O Crepúsculo dos Deuses e a Aurora do Homem

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas!

Jornal Opinião de Viamão