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Earworm 3 – “Verme do Ouvido”

“Earworm” 3 (“Verme de Ouvido”)

Calma aí “galera” (estou meio modernoso, me atualizando no vocabulário), conto sobre o “Buraco do Padre”. Vamos por partes que não são anatômicas, pois seriam pecados mortais como os malditos “atentados ao estado democrático”. Nas franjas da ERS 40, na Viamópolis, tem uma igreja e lá, no seu distante início de escavação e alicerces, criou-se um espaço, como os tradicionais salões paroquiais, para casamentos (juro que havia!), aniversários, reuniões comunitárias e “reuniões dançantes”. Abrigados no sobsolo, sob a laje de concreto, com conjunto musical (de verdade com criaturas humanas tocando bateria, que não eram como as elétricas dos carros de ontem, guitarras)…

A galera (tô pegando jeito!), todo território era gente que se bandeava das vilas e os “bonitos” do Centro de Viamão City iam encantar as prendas, linda moçoilas. Com chicletes Ping-Pong e Adams para dar um estilo, calças boca de sino e colarinhos ou golas altas. Incrementando com uma calça “saint-tropez”. Sentiram a maldade, o intuito? O propósito?

“Me deixa morder a sua orelha | Me deixa beijar a sua boca | Me deixa eu te amar do jeito que eu quiser | Me deixa eu ser sua mania, mania de você.” – Rita Lee em “Mania de Você”

Uma ode à sensualidade pura, mas com carinho e entrega. É um dos clássicos em que uma geração canta baixinho. Ou sussurra, ou um ronronar nos ouvidos do flerte, ou amados. Quando o garoto, o jovem, o homem acariciava os cabelos da amada, quando o relógio do tempo fazia a vez de plateia e assistia no palco iluminado da vida o encontro de seres que buscam encontrar o significado para uma existência. Hormônios devassam os órgãos, a sexualidade sobe a montanha.

Não com a “fúria” de Djavan em “Eu te devoro”. Ops! Não há nenhum canibalismo ou antropofagia aos incautos ou obnubilados numa nuvem passageira e adocicada de canabis. Veja:

“Eu te devoro com os olhos / Eu te devoro com a boca / Eu te devoro com as mãos / Eu te devoro, eu te devoro.”

Djavan busca (e encontra?) uma sensualidade poética intensa que clama com intensidade e alegórica voracidade, com um amor profundo. Críticos alegam que Djavan sempre soube equilibrar desejo e respeito em sua letra. Entretanto, há divergências ou controvérsias que escapam de “direita ou esquerda”. Ou de alguma pedalada literária.

“Nem mesmo o céu, nem mesmo o mar, nem as estrelas | Não podem expressar o quanto eu te amo | Nem me explicar.”

Essa acima você já sacou e tirou de letra – uhuuu! Pois é: “Como é grande o meu amor por você” de Roberto Carlos. É quase impossível uma criatura que batuca amor no peito, que suas coronárias se enchem de graça ao pensar, quanto mais tocar, sua amada e ela retribuir. Importante mesmo! Sei que você já se embalou numa das letras do Erasmo e do Roberto, E quem não? O trecho acima tem o poder da divindade, é o clássico dos clássicos. Aqui Roberto deixa de ser brasileiro somente, é universal. Aqui a criatura, o homem sente, transpira e reconhece, também admite sem contestação que a linguagem, que nosso vocabulário humano é pequeno demais para medir o que se sente. É a canção da plena entrega, da entrega total. Uma devoção absoluta!

Que legal! Estamos curtindo, apreciando, revelando fagulhas cintilantes de nossos espíritos. Sua companhia, amigo leitor, gera Luz no escritor. Envie mensagens e compartilhe, principalmente para quem você entrega seu coração! Saúde e Abraço do Eds.

2026.02.10 – “Earworm” 3 (“Verme de Ouvido”)

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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