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A Trindade “Fatal”! 2 – Final | 2026.09.22

Iodo – Mercurocromo – Mertiolate

Segue o baile, gaiteiro! Uma época heroica desse Edinho do Cabeleira. O iodo era cor “marrom barro”, trazia uma sentimento de punição severa, depois passou mais para uso hospitalar. O mercúrio cromo trazia o vermelho do grito engolido. Mudo. Trazia um sentimento de alívio e de heroísmo, de macho uma barbaridade. E o mertiolate transparente como água de poço, trazia a mensagem de traição e triste agonia; hoje, reformulado por clorexidina – não arde (nem cheira!).

O Veredito do Gaúcho, bagual desde guri.

Somos sobreviventes. Entre uma carreira atrás de uma “largatixa” (filhote de “cocodrilo”), um tombo de bicicleta na Lomba da Paciência ou do Fiuza, ou uma topada no futebol, fomos batizados, abençoados (?) por esses elixires milagrosos. Atestado para a vizinhança, para os colegas de escola, para as gurias bonitas que a gente não se mixava por pouco. Mesmo numa peleia feia barbaridade, o vivente não arreia e segue de pé. Muita piazada de hoje é tudo spray, indolor e cheirinho de florzinha.

Saudosa época em que a gente era curado no grito e no carinho bruto (?) das mães, que assopravam a ferida enquanto a gente via o céu estrelado ao meio dia. “Fez arte! Desobedeceu! Agora aguenta.” Quantas vezes, sofria com os “graves ferimentos”, mais castigos e até chineladas?

Reviver é Viver Novamente! Como ver o Sol nascer num oceano de Memórias.

Fico faceiro uma barbaridade se essas memórias, esses retratos de um tempo que o guri brincava e corria pelas ruas e campinhos de futebol despreocupado, também os pais, com o banditismo desenfreado e as “vítimas da sociedade” acobertadas por um injustiça absurda e cruel e uma política de direitos do bandido e deveres da vítima..

Um entrevero na saída da escola ou no campinho de futebol trouxe esse refresco para a alma. Honrando um tempo em que se era feliz por pouco. Muito pouco! E corajoso por obrigação, pois sobrevivemos à tríade “fatal”. Reavivando o sorriso maneiro de quem não se mixa por pouco (?), trazendo a foto na memória de um joelho ralado e pintado de mercurocromo, vermelho em brasa. O vivente ainda arrotava que tinha sangrado muito, um sangue de batalha, e o doutor do Hospital de Caridade, quis dar um monte de pontos, mas o valente não sujou a bombacha.

A casca que se formava era como um brasão de coragem, que anotava outra façanha – furungar, mexer e até arrancar a casca da ferida.

Conclusão Sagrada.

Um brinde à nossa história. Pela coragem inaudita de enfrentar o algodão ou a raquete com mertiolate. Pelo nosso estilo com os joelhos pintados de vermelho. E pela sobrevivência, pois as curas doíam mais, muito mais mesmo, que os tombos e peleias. Que os amigos e amigas se encontrem, seja laçados pelo amor dessas memórias e sejam novamente “heróis” desses tempos.

Minha querida mãe, a Dona Dora, deve estar rindo comigo nesses instantes sagrados. Creio que a sua mãe também. Creio, tenho certeza de que doía muito mais nela do que em mim ao enfrentar a “tríade fatal”. Hoje eu sei!

Z36 2026.09.22 – A Tríade Fatal 2 – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

HISTÓRIA da MEDICINA

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