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A Crônica do Condenado e a Terra Dividida – Parte 2 – Final 2026.10.20

No Brasil, esses são os que dependem de auxílios sociais para sobreviver ou se aboletarem no ócio ou observados na vagabundagem por quem sustenta essa cotas.  Enquanto os poderosos, como os Thénardier de Hugo, exploram a miséria alheia, transformando esmolas em votos, enquanto abastecem cofres malditos.

“1984” de George Orwell

No Planalto, a liberdade é um espelho quebrado. De um lado, há os que, como Winston Smith, de 1984 de George Orwell, tentam gritar verdades contra o Grande Irmão do poder – mas suas vozes são abafadas por artistas corrompidos, mídia mal cheirosa e lives que celebram a divisão. Winston é o ativista, o jornalista, o cidadão que posta e é silenciado por multidões orquestradas. De outro, há os que, como Raskólnikov, de Crime e Castigo de Dostoiévski, justificam seus crimes com ideologias, acreditando que o fim – poder, revolução, ou redenção – justifica os meios. Eles são os que manipulam auxílios sociais como armas, comprando consciências enquanto falam de justiça.

            “Crime e Castigo” de Dostoiévski

E há Valjean, o “idiota” que insiste em acreditar. Ele vê os protestos nas ruas, as hashtags, as promessas de um Brasil renovado. Ele pergunta, como Míchkin: “Por que brigamos, se todos queremos o mesmo sol?” Mas o Planalto não é gentil com os que sonham. Aqui, a justiça é um Javert incansável, perseguindo sem piedade, enquanto a liberdade plena é reservada aos que dominam o jogo – os que, como Atticus Finch, de O Sol é para Todos de Harper Lee, defendem os inocentes, mas são vencidos pelo preconceito e pela indiferença.

            “O Sol é para Todos” de Harper Lee

No fim, Valjean não é apenas um homem; é um símbolo. Talvez seja um juiz que enfrenta a máquina do poder, um ativista que marcha contra a corrente, ou um cidadão comum que, apesar das cicatrizes, ainda acredita na democracia. Como em Os Miseráveis, sua bondade pode não salvar a todos. A terra dividida continua a sangrar, consumida por auxílios que escravizam e divisões que inflamam. Mas Valjean, o condenado, carrega uma chama: a esperança de que, mesmo num Brasil de 2026, marcado por facadas e injustiças, a redenção é possível – não pelo poder, mas pela persistência de um “idiota” que ainda sonha com um povo unido.

Explicação da Escolha e Estrutura

Jean Valjean é o núcleo perfeito para essa crônica, pois sua jornada em Os Miseráveis espelha a vida de alguém injustamente condenado, perseguido e marcado, mas que persiste em acreditar na bondade e na redenção – traços que ressoam com o Míchkin da crônica original. A facada e as sequelas mencionadas são metaforizadas como as perseguições e cicatrizes de Valjean, enquanto os “auxílios sociais” são retratados como ferramentas de manipulação, semelhantes às esmolas dos Thénardier. Outros personagens, como Gatsby, Hester, Winston, Raskólnikov e Atticus, foram escolhidos para refletir facetas do Brasil de 2026: a ostentação, a culpa pública, a resistência silenciada, a moral ambígua e a luta por justiça.

A alegoria mantém o tom literário e crítico da crônica original, mas com uma nova camada de indignação contra a injustiça e a manipulação, centrada em Valjean como o “idiota” que persiste na esperança.

2026.10.20 – A Crônica do Condenado e a Terra Dividida

Eds Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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