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Para criar uma nova crônica que ecoe a profundidade de “A Crônica do Príncipe e o Planalto” e retrate o Brasil de 2026 como um palco de divisões, injustiças e sonhos de redenção, escolho como personagem central Jean Valjean, de Os Miseráveis(1862) de Victor Hugo. Valjean, um homem condenado por um crime menor (roubar um pão para alimentar a família), perseguido por um sistema implacável e transformado por sua crença na redenção, é um “idiota” no sentido de alguém que persiste na bondade e na fé em um mundo melhor, mesmo quando o mundo o esfaqueia – literalmente ou metaforicamente. Ele é julgado sem verdadeira justiça, marcado por um sistema que não esquece seu passado, mas ainda assim busca salvar os outros, como Míchkin. A crônica abaixo tece Valjean com outros personagens de romances notáveis, criando uma alegoria que reflete o Brasil de 2026, com suas divisões, auxílios sociais manipulados e a perseguição de um idealista.

A Crônica do Condenado e

a Terra Dividida – Parte 1 de 2

            “Os Miseráveis” de Victor Hugo.

No Brasil de 2026, onde o Planalto brilha como um farol de promessas partidas, há uma terra dividida entre os que dançam sob o sol e os que carregam o peso de correntes invisíveis. No coração dessa nação, vive Jean Valjean, um homem que, como em Os Miseráveis de Victor Hugo, foi condenado por um delito que não explica sua alma. Ele roubara um pão – ou, no Brasil, talvez um saco de feijão – para alimentar os famintos, mas o sistema (pervertido), cego como Javert, o careca-perseguidor implacável, marcou-o com um número: 24601 (hoje 22). Aqui, no Planalto, ele é o “idiota” que acredita num Brasil unido, mesmo após ser esfaqueado – uma facada que não o matou, mas deixou cicatrizes na carne e na alma e uma vida quase destroçada.

            “O Grande Gatsby” de Scott Fitzgerald.

O Brasil de hoje é um palco onde o esfaqueado Valjean caminha entre sombras de outros romances. De um lado, há os que, como Jay Gatsby, de O Grande Gatsby (1925) de F. Scott Fitzgerald, perseguem um sonho verdejante de riqueza e poder, construindo palácios de ostentação entre viagens nababescas. Eles são os líderes que prometem “auxílios sociais” como moedas brilhantes, jogadas ao povo enquanto constroem suas próprias West Eggs em Brasília. Esses auxílios, como o dinheiro de Gatsby, compram lealdade, mas não amor; alimentam algumas bocas, mas não esperanças. Do outro lado, há os que, como Hester Prynne, de A Letra Escarlate (1850) de Nathaniel Hawthorne, carregam uma marca de vergonha – uma tornozeleira eletrônica, talvez, ou o peso de um julgamento sem júri, onde o acusador é investigador-polícia-ministério público-juiz-executor-e-carrasco. Eles são os ex-líderes, outrora idolatrados, agora expostos em praça pública, com seus pecados tatuados em letras vermelhas nas manchetes.

            “A Letra Escarlate” de Nathaniel Hawthorne.

Valjean, nosso condenado, persiste. Ele foi julgado sem defesa, sua vida dissecada por tribunais que confundem justiça com vingança, deturpando todos os preceitos básicos e constitucionais, enquanto envergam o manto sombrio da corrupção e da ideologia partidária. A facada que sofreu – talvez numa esquina de campanha, talvez num púlpito virtual – não o derrubou, mas o marcou como um pária. Ainda assim, acreditam seus carrascos, como no romance, ele é o homem que transforma sua dor em ação, ajudando os Cosettes da nação – os jovens que sonham com um futuro além das favelas, mas são presos por um sistema que os ignora e privilegiam o cotista e não o mérito.  Nota: Leia o término dessa crônica na próxima semana.

2026.10.13 A Crônica do Condenado e a Terra Dividida 1 – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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