A Lábia, o Brete e a Bússola do Povo! 2026.10.06
Buenas, vivente! Que o teu mate esteja bem cevado e a água no ponto de chimarrão. Estava aqui matutando sobre o causo das eleições, misturando as poeiras do pampa com os ventos lá da Hélade antiga. É bem como sabemos: na hora de ir às urnas, muita gente empurra o lombo para o brete já escutando o baque da marreta do açougueiro, com uma mansa resignação que dá dó no espírito. E não é por falta de aviso que se entrega por uma picanha fedida e uma cerveja quente e falsificada.
Parece que os políticos de plantão têm o dom ancestral de encilhar a mentira com pelego de veludo. Na Grécia antiga, essa lábia desenfreada tinha nome de gente fina: Peitho, a deusa da persuasão que não pedia bênção à verdade Era casada com Hermes, o padroeiro tanto da eloquência quanto dos tranqueiras e dos gatunos – ladrão é ladrão, não tem cura e nem salvação (flor de rima!). Quando ela se junta com Apaté — a mestra do engano que faz o erro brilhar mais que ouro de lantejoula — e com o Dolos (pensou em Boulos?) das artimanhas, o estrago tá feito. O cidadão vai pro palanque ouvindo promessas que nem ginetear um potro xucro sem freio, vota no lisonjeiro e, no outro dia, acorda atolado até as pestanas no chiqueiro da desilusão. É a velha história de trocar o boi gordo por uma promessa de touro reprodutor que nunca chega à invernada.
Mas Bah! O que nos vale nessa hora não é GPS de cidade grande, nem tela de celular sem sinal no meio do banhado. Para não perder o rumo e a dignidade, o vivente precisa puxar o astrolábio da alma gaúcha, olhar para as estrelas do bom senso e puxar o freio de mão na esperteza alheia. Lembremos do Ataulfo Alves em Laranja Madura “na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé”. “Santo que vê muita esmola na sua sacola, desconfia e não faz milagres não”. 1986 – Lula elegeu-se Deputado Federal Constituinte por São Paulo e já bem antes tecia os mesmos discursos e propostas, maquiando-as ao momento. E os outros presidenciáveis? Nenhum teve tantos anos para se mostrar num governo como o carcará.
O astrolábio ou a bússola do gaúcho véio não tem bateria e nem precisa de satélite. Ele se compõe de três marcos firmes:
A Desconfiança Campeira: Já dizia o ditado que promessa de político em palanque é como nuvem do norte: ou chove ou não molha, mas quase sempre venta maldade. Antes de acreditar em conversa mansa, olhe os rastros. Quem vive de promessa dorme de bota e acorda descalço.
A Memória da Estribeira: Povo que esquece o passado é gado que volta para o curral do mesmo matador. Não adianta trocar a sela se o cavalo é o mesmo manco. A dignidade não se negocia no balcão da barganha eleitoral por promessa de palanque.
O Fator Cívico e a Bússola do Dever: A verdadeira liberdade não cai do céu como fruto maduro. Ela exige que a gente tire os olhos da tela eletrônica da ilusão e olhe para o chão que pisamos. O poder verdadeiro não está na mão do rei de plantão, mas na força soberana de quem não se dobra e não se vende por um naco de ilusão ou o cabresto de uma bolsa, senão garroteado até as entranhas da corrupção.
Portanto, meu amigo, quando a lábia de Peitho tentar te enfeitiçar na esquina da urna, faça como o gaúcho prudente diante de um temporal de vento sul: aperte o poncho, segure firme a guampa do teu discernimento e lembre que bússola boa é aquela que aponta para a liberdade, não para o cabresto. Num tempo que “40 dinheiros” são convertidos em “bolsas” de todo gênero e estímulo ao ócio que flui para a vagabundagem e perda da dignidade, não se precisa de muitos argumentos além do que o espírito vê fluir no esgoto da vida pública.
Fundamentos! Atravessamos ou estamos afundando irremediavelmente como o Titanic nesses piores tempos do Brasil. Um Supremo Tribunal… Um Congresso… Entidades de Estado… Crime organizado… Terrorismo… Não use de rótulos apenas. Faça seu diagnóstico e escolha o seu caminho, lembrando que outros serão arrastados por suas decisões!
Z67 2026.10.06 – O Astrolábio da China Virada – Eds Olimpio
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão