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Posca ou Vinagre? 2 | 2026.03.24

O Martírio de Jesus Cristo – Parte 2

Detalhes! A vida é uma sequência interminável de detalhes. Importantes ou nem tanto. Pessoalmente valorizo a observação e o critério exigente do detalhe – complexo de cirurgião! Assim quando foi oferecida “posca” ou vinagre puro para Jesus Cristo, era através de um cálice, algum tipo de copo, um vaso de barro ou como Hollywood extravasa em suas películas de todos os tempos: couro ou víscera animal? Vamos viajar pelos materiais mais prováveis para os recipientes de líquidos das legiões romanas no século I.

1. Terracota (Cerâmica)

Era o material mais comum para o armazenamento no dia a dia. Muitos soldados usavam pequenas jarras de barro chamadas lagunculae. Vantagem: barata e mantinha a água levemente fresca pela evaporação através dos poros do barro. Desvantagem: frágil para longas marchas e combates.

2. Bronze (e raramente Ferro)

O metal era usado, mas o bronze era muito mais comum que o ferro para recipientes de líquidos. Por que não o ferro? O ferro oxida (enferruja) muito rápido em contato com água e, principalmente, com a acidez da Posca (vinagre misto). As cantinas de bronze eram circulares, geralmente achatadas para transporte junto ao corpo ou à “furca” (vara de carga do soldado).

3. Couro (O Uter)

Para grandes volumes ou marchas rápidas, o couro era essencial. Eram os chamados utres (odres). Feitos de pele de cabra ou boi, tratados com resina ou piche no interior para evitar vazamentos e o gosto de couro da água.

4. Madeira

Existem evidências arqueológicas de cantis feitos de ripas de madeira, como pequenos barris em miniatura, reforçados com aros metálicos. Eram extremamente resistentes.

O que estaria no Gólgota?

Para a cena de crucificação, há duas possibilidades arqueológicas principais: 1. Vaso Comum: os Evangelhos mencionam um “vaso” (Skeuos em grego) no chão. Isso indica um recipiente de cerâmica (jarra ou ânfora). Que continha a ração de posca para os soldados de guarda. 2. Cantil Individual: se um soldado oferecer seu próprio suprimento, ele teria usado sua “laguncula” (bronze ou cerâmica) ou um odre de couro.

Nota.

O ferro era reservado quase que exclusivamente para armamentos (espadas, pontas de lança, armaduras) devido a sua dureza, enquanto o bronze e o barro era o usual na hidratação militar. Um “Cantil de Bronze” espelha a autoridade militar, precisão histórica, o “metal das legiões”. Um “vaso de Barro” mais humilde e fiel ao relato bíblico de João (“havia ali um vaso…”), contrasta a fragilidade da cerâmica com a força do evento.

Na próxima semana concluiremos essa pesquisa histórica do episódio mais importante da Cristandade, com Amor e o mais pleno respeito ao Sagrado Evangelho.

2026.03.24 – Posca ou Vinagre 2 – O Martírio de Jesus

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

HISTÓRIA da MEDICINA

Imagem para outros canais.

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Posca ou Vinagre? Mistério. 2026.03.17

O Martírio de Jesus Cristo Parte 1

Com amor e o mais eterno respeito vamos mergulhar, adentrar numa importante análise histórica e teológica: episódio do vinagre na cruz, que é um daqueles momentos onde a arqueologia, a cultura militar romana e as profecias bíblicas se encontram de forma fascinante.

1. A Referência Bíblica e a Realidade Romana

Sim, o fato é mencionado nos quatro Evangelhos (Mateus 27:48, Marcos 15:36, Lucas 23:36 e João 19:29). No entanto, o termo “vinagre” pode levar a uma interpretação equivocada hoje em dia. Naquela época, dificilmente seria o vinagre de cozinha puro que conhecemos, mas sim a Posca.

            2. O que era a Posca?

            A Posca era a bebida oficial e cotidiana das legiões romanas. Era uma mistura de: Acetum: Vinho azedo ou vinagre de vinho que já havia passado do ponto de consumo refinado. Água: Para diluição. Ervas e Mel: Ocasionalmente adicionados para melhorar o sabor. Por que os soldados bebiam isso? Você está correto em sua intuição: a acidez do vinagre ajudava a matar parte das bactérias da água (que muitas vezes era estagnada ou impura em acampamentos), fornecia vitamina C e era muito mais refrescante e reidratante do que a água pura sob o sol escaldante. Além disso, era barata e evitava a embriaguez das tropas em serviço.

3. Jesus recebeu Vinagre Puro ou Posca?

  • É altamente provável, para não dizer certo, que Jesus tenha recebido Posca. Os soldados que guardavam o local da execução estavam “em serviço”. Eles não teriam um banquete ou vinho fino ali, mas tinham seus cantis de Posca. João 19:29 menciona que “havia ali um vaso cheio de vinagre”. Esse vaso era, possivelmente, a ração diária de bebida daqueles soldados.

4. Intenções e Significados

O ato de dar a bebida a Jesus tem camadas diferentes de interpretação:

  • O Cumprimento Profético: Para os escritores bíblicos, o gesto cumpre o Salmo 69:21: “Na minha sede deram-me a beber vinagre”.
  • Misericórdia vs. Escárnio: * Escárnio: Lucas sugere que os soldados o provocavam oferecendo a bebida (como se dissessem: “Aqui está o seu vinho real, ó Rei”).
    • Misericórdia Prática: Por outro lado, molhar os lábios de um condenado com Posca era um gesto para prolongar a vida por mais alguns minutos ou aliviar a agonia da garganta seca pela asfixia e desidratação da cruz.

O Contraste do Vinho com Mirra.

 Antes da crucificação, ofereceram a Ele vinho misturado com mirra (um tipo de anestésico), que Ele recusou para manter a consciência plena. O “vinagre” (Posca) no final Ele aceitou (ou ao menos provou) logo antes de expirar. A Posca representa a humanidade comum e a presença militar. Ao beber a Posca, Jesus compartilha da bebida do degrau mais baixo da sociedade romana: o soldado comum e o escravo. Não era um veneno, mas uma bebida de sobrevivência, amarga e ácida, que simbolizava o “cálice” de sofrimento que Ele estava terminando de beber.

2026.03.17 – Posca ou Vinagre 1- O Martírio de Jesus

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

HISTÓRIA DA MEDICINA

Observação Natacha: A imagem será usada em outros canais.

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BRASIL BET! 2026.03.10

Aposto” que você percebeu as mudanças no Brasil em que sobrevivemos. Pois é, “Bet” vem do inglês e significa “aposta”. Existe aposta que não seja um jogo de azar? Observe que as centenas de empresas de apostas virtuais, pela internet, usa um qualificativo ilusório: “casa de apostas”. Isso inspira e cria o álibi, a estratégia de induzir que é algo “bom” (casa: lar, reduto da família). O brasileiro é um apostador nato. Seu DNA vem de Portugal: a galera do Cabral apregoou “em se plantando tudo dá”. E deu realmente? – Portugal não deu certo nem em Portugal. Sim ou não?

Apostas e Loterias.

Bicheiros e jogo do “bixo”. Loterias estaduais e federais. Mega sena (Sena – um vencedor; daí não ter Mega Rubinho) e uma barca de loterias e ganhadores compulsórios – sim há quem ganhe repetidamente – “muita sorte” (?). E arrombaram os portos para as BET, centenas delas. Risco zero, como tudo de eletrônico (kkkk). Ah, quase esqueci dos bingos – coisas de idosos sem ter o que fazer, mas já que gostam de perder dinheiro, veio o “golpe do INSS” (Lulinha & Careca Group?).

Apostar em Político.

O brasileiro adora apostar em político – “ele rouba, mas faz” (mais roubos, mais corrupção, mais enriquecimento ilícito). A criatura não tem capacidade de administrar um carrinho de pipocas, mas será um bom vereador, prefeito, deputado… Se tiver um sindicato na pressão, pode ser até presidente (Uhuuu!). Apostamos que repetir o mesmo erro teremos resultados de sorte grande. Repetimos a defecada esperando um jantar típico do Planalto. Observe áreas do Brasil que trafegam historicamente na contramão da mínima razão, do singelo bom senso, e repetidamente votam apostando nas biscas ou escórias do pior atraso e corrupção. Enquanto o Brasil que trabalha, levanta de madrugada, esfola o lombo na lotação e vê a família sofrer pela falta daquilo que o governo (aposta) entrega para hordas de vagabundos e corruptos (lembra alguém?) que desprezam um emprego formal, de “carteira assinada” (ou assassinada?) para curtir a rede social nas redes das bolsas sociais. Inclusive alimentando o vício das drogas! Vai que não sabia da turma que pega nossos sofridos pilas para se drogarem?

Apostar diuturnamente.

Centenas, milhares de estupros e crianças que desaparecem. Assassinatos e pedofilia como apostar no volante da loteria (do azar). Sair para trabalhar ou para algum escasso lazer, sem a certeza de voltar ao lar, vivo ou mutilado física e mentalmente. São apostas do dia a dia. A empresa que aposta se consegue manter o trabalho e a produção assediada pela corrupção e guilhotina fiscal. O vivente que faz uma compra parcelada apostando em pagar com seu suado trabalho… Aposte que amanhã terá comida e saúde para a família. Sim ou não?

Apostar na justiça.

E a justiça? Ou a injustiça? Como o governador carioca (Castro) mostrou sobre as fatídicas “audiências de custódia” e a legislação feita e manipulada para proteger as “vítimas da sociedade”: “a polícia prende dezenas de vezes e os criminosos estão soltos no dia seguinte” – sob a orientação e auspícios dos “especialistas da Globo” (apoio mudo da OAB?). Uns buscam a loteria judiciária para depredar o patrão que lhe dá emprego. A “letra fria da lei” está comatosa em algum freezer, pois as decisões são interpretativas (acorda! Se não sabia). Vide a corte suprema em que vários expoentes do Direito enxergam que ela navega pela contramão da Esquerda. Circunstancial? Evolutiva?

Discute-se a “insegurança judicial” do térreo à cobertura, do abigeato à Lava Jato? Se cair nesse carrossel lotérico, o traficante está num iate e o cidadão pai, esposo, chefe de família está no necrotério com a aposta de liberar o corpo “brevemente” para a família sepultar. Sem apostar numa justiça real que mesmo que tardasse, aconteceria! Aconteceria? Sim ou não, enquanto vivente?

2026.03.10 – BRASIL BET – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

Jornal Opinião de Viamão

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Payada Curta – Fé vs Ciência!

Payada Curta – Fé x Ciência

Estilo coice de porco — curto, seco e certeiro.

FÉ:
No oitavo dia marcado,
Deus já sabia o caminho.

CIÊNCIA:
Protrombina lá em cima —
segurança no sanguinho.

FÉ:
Tu medes o que eu sinto.

CIÊNCIA:
E eu provo o teu instinto.

AMBAS:
No mesmo pulso, afinal:
fé lê antes — ciência explica o sinal.

2026.02.24 – O Relógio de Sangue

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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Payada – O Relógio de Sangue!

Payada – O Relógio de Sangue
(Fé e Ciência em contraponto)

FÉ:
Eu venho dos tempos antigos,
quando o verbo era caminho,
sem bisturi nem carinho
de lente vendo perigos.
No oitavo dia, eu digo,
há um pacto que não falha,
é Deus quem marca essa trilha
no corpo recém-chegado:
o tempo já foi traçado
antes da mente que o valha.

CIÊNCIA:
Te escuto, velha parceira,
com teu respeito profundo,
mas eu desvendo esse mundo
com prova limpa e certeira.
No sangue há uma bandeira
que o tempo bem determina:
no oitavo, a protrombina
sobe além do que é comum,
cento e dez — e mais nenhum
momento igual se destina.

FÉ:
E quem soprou esse compasso
no peito da criação?
Quem deu ao tempo a razão
de dar tão justo esse passo?
Não vês, por trás do traço,
uma mão que antecedeu?
O que hoje o homem leu
já foi mistério guardado:
o oito já era marcado
antes do sábio ser teu.

CIÊNCIA:
Não nego o assombro, parceira,
nem fecho os olhos ao todo,
mas sigo passo a passo o modo
que a vida mostra na esteira.
A flora ainda é primeira,
a vitamina demora,
dois ao cinco a vida chora,
mas no oitavo há proteção:
é biologia em ação,
sem milagre — ou com, quem fora?

FÉ:
Pois talvez seja esse o ponto
onde a peleia se acalma:
tu medes o pulso da alma,
eu sinto o que não te conto.
Se o número vem tão pronto,
se o risco vira guarida,
talvez a mesma medida
nos guie por diferente:
tu chamas dado evidente,
eu chamo sopro da vida.

CIÊNCIA:
Então, que siga esse acordo
sem cerca entre pensamento,
pois busco no experimento
o que teu símbolo é bordo.
Se há ordem por trás do acordo,
não me cabe negar:
apenas sigo a estudar
o que já veio traçado —
talvez eu leia atrasado
o que tu soubeste escutar.

FÉ (fechando):
Então sentemos, irmã,
na mesma roda de mate,
sem que uma à outra maltrate
na busca do amanhã.
Pois no sangue que se irmana
há mais que carne e razão:
há tempo, pulso e canção
num relógio sem fronteira…
onde Deus — ou a primeira —
fala em ciência e oração.

2026.02.24 – O Relógio de Sangue

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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O Relógio de Sangue!

O Relógio de Sangue!

Quando a Fé e a Fisiologia Médica se Encontram.

Na história da humanidade, a ciência e a religião costumam ser retratadas como vizinhas que não se falam, separadas por um muro alto de dogmas de um lado e evidências do outro. No entanto, há momentos em que, se encostarmos o ouvido nesse muro, ouviremos o mesmo compasso de eterna sonoridade. Um dos exemplos mais fascinantes dessa “sincronia invisível” está escondido em um pequeno detalhe do livro de Gênesis 17:12 e na cascata de coagulação de um recém-nascido.

Para o leigo, a circuncisão (postectomia ou cirurgia de fimose) ao 8º dia é apenas um rito antigo. Para o religioso, é uma aliança selada no tempo. Mas, para o olhar do médico, o 8º dia é uma curiosidade estatística que desafia o acaso. Imagine o cenário: há milênios, sem laboratórios, sem hematologistas e sem o conhecimento da vitamina K, um texto antigo prescreve que um procedimento cirúrgico deve ocorrer exatamente no 8º dia de vida. Nem no primeiro, nem no trigésimo. Por que o oito? A medicina moderna nos conta uma história de “timing” perfeito. Nos primeiros dias de vida, o bebê é um ser fisiologicamente vulnerável. Seus níveis de vitamina K — essencial para “estancar” sangramentos — são baixos, pois dependem de uma flora intestinal que ainda está florescendo. Entre o segundo e o quinto dia, o risco de hemorragia é real.

8º dia: Sagrada Saúde.

Contudo, ao chegarmos ao oitavo dia, algo notável acontece. A concentração de protrombina no plasma do recém-nascido sofre um pico súbito, atingindo cerca de 110% do nível normal. É o único momento em toda a vida do ser humano em que os fatores de coagulação estão, naturalmente, acima da média comum. É como se a natureza, ou o Criador, abrisse uma “janela de segurança” hemostática, um salvo-conduto biológico para o rito. Os antigos hebreus não possuíam microscópios ou testes de coagulação; a observação empírica ou a prescrição religiosa acabaram por coincidir com o momento de maior segurança hemostática para o procedimento.

Circuncisão em outras religiões.

Enquanto no Islã a circuncisão (Khitan – não é mencionada no Alcorão) se expandiu para uma janela de tempo maior — focando na higiene e na identidade espiritual da Fitra — a precisão matemática do texto mosaico permanece como um enigma para os céticos e um deslumbramento para os crentes. No Antigo Egito: 10-14 anos, um rito de passagem para vida adulta. Tribos africanas: adolescência, iniciação social e guerreira. Ortodoxos etíopes: 8º dia, tradição do Antigo Testamento.

A Medicina do Homem e a Medicina de Deus.

Como médico, a gente aprende que o corpo humano é uma máquina de precisão. Como cronistas da vida, percebemos que a intuição ancestral — chame-a de revelação ou de observação empírica apuradíssima — muitas vezes descobriu o “como” muito antes de entendermos o “porquê”.

No final das contas, o oitavo dia do recém-nascido bíblico nos lembra da mesma coisa: há uma ordem por trás do caos, e a vida possui um ritmo próprio que, de vez em quando, se deixa decifrar tanto pela fé quanto pelo bisturi do conhecimento.

2026.02.24 – O Relógio de Sangue

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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Earworm 3 – “Verme do Ouvido”

“Earworm” 3 (“Verme de Ouvido”)

Calma aí “galera” (estou meio modernoso, me atualizando no vocabulário), conto sobre o “Buraco do Padre”. Vamos por partes que não são anatômicas, pois seriam pecados mortais como os malditos “atentados ao estado democrático”. Nas franjas da ERS 40, na Viamópolis, tem uma igreja e lá, no seu distante início de escavação e alicerces, criou-se um espaço, como os tradicionais salões paroquiais, para casamentos (juro que havia!), aniversários, reuniões comunitárias e “reuniões dançantes”. Abrigados no sobsolo, sob a laje de concreto, com conjunto musical (de verdade com criaturas humanas tocando bateria, que não eram como as elétricas dos carros de ontem, guitarras)…

A galera (tô pegando jeito!), todo território era gente que se bandeava das vilas e os “bonitos” do Centro de Viamão City iam encantar as prendas, linda moçoilas. Com chicletes Ping-Pong e Adams para dar um estilo, calças boca de sino e colarinhos ou golas altas. Incrementando com uma calça “saint-tropez”. Sentiram a maldade, o intuito? O propósito?

“Me deixa morder a sua orelha | Me deixa beijar a sua boca | Me deixa eu te amar do jeito que eu quiser | Me deixa eu ser sua mania, mania de você.” – Rita Lee em “Mania de Você”

Uma ode à sensualidade pura, mas com carinho e entrega. É um dos clássicos em que uma geração canta baixinho. Ou sussurra, ou um ronronar nos ouvidos do flerte, ou amados. Quando o garoto, o jovem, o homem acariciava os cabelos da amada, quando o relógio do tempo fazia a vez de plateia e assistia no palco iluminado da vida o encontro de seres que buscam encontrar o significado para uma existência. Hormônios devassam os órgãos, a sexualidade sobe a montanha.

Não com a “fúria” de Djavan em “Eu te devoro”. Ops! Não há nenhum canibalismo ou antropofagia aos incautos ou obnubilados numa nuvem passageira e adocicada de canabis. Veja:

“Eu te devoro com os olhos / Eu te devoro com a boca / Eu te devoro com as mãos / Eu te devoro, eu te devoro.”

Djavan busca (e encontra?) uma sensualidade poética intensa que clama com intensidade e alegórica voracidade, com um amor profundo. Críticos alegam que Djavan sempre soube equilibrar desejo e respeito em sua letra. Entretanto, há divergências ou controvérsias que escapam de “direita ou esquerda”. Ou de alguma pedalada literária.

“Nem mesmo o céu, nem mesmo o mar, nem as estrelas | Não podem expressar o quanto eu te amo | Nem me explicar.”

Essa acima você já sacou e tirou de letra – uhuuu! Pois é: “Como é grande o meu amor por você” de Roberto Carlos. É quase impossível uma criatura que batuca amor no peito, que suas coronárias se enchem de graça ao pensar, quanto mais tocar, sua amada e ela retribuir. Importante mesmo! Sei que você já se embalou numa das letras do Erasmo e do Roberto, E quem não? O trecho acima tem o poder da divindade, é o clássico dos clássicos. Aqui Roberto deixa de ser brasileiro somente, é universal. Aqui a criatura, o homem sente, transpira e reconhece, também admite sem contestação que a linguagem, que nosso vocabulário humano é pequeno demais para medir o que se sente. É a canção da plena entrega, da entrega total. Uma devoção absoluta!

Que legal! Estamos curtindo, apreciando, revelando fagulhas cintilantes de nossos espíritos. Sua companhia, amigo leitor, gera Luz no escritor. Envie mensagens e compartilhe, principalmente para quem você entrega seu coração! Saúde e Abraço do Eds.

2026.02.10 – “Earworm” 3 (“Verme de Ouvido”)

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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Eu Sou Viamão!

Eu Sou Viamão!

Sou Viamão, senhor das coxilhas e guardião das madrugadas.
Sou onde o sol primeiro se espreguiça no pago,
e o mate, na cuia de gerações, canta histórias de um tempo antigo.

Fui prece antes de praça, e cruz antes de estrada.
Na velha Igreja, que nem o tempo ousa desmanchar,
mora a fé dos tropeiros e o silêncio dos sinos.
É ali que o vento reza, e a história cochicha nas frestas da madeira santa.

Na beira do mar, sou farol.
Itapuã me alumia as origens —
foi ali que os passos primeiros fincaram a alma na terra braba,
entre sambaquis e sonhos de um povo que viria.

Sou Tarumã em tarde de ronco.
Meu coração corre junto aos carros,
feito potro xucro, domado só pela paixão da velocidade.
As retas são versos e as curvas, refrões de uma canção de coragem.

Nos bancos de praça e nos volantes antigos,
sou saudade viva dos que guiavam destinos.
Os carros de praça — mais que táxis, eram confessionários sobre rodas,
outrora puxados por cavalo, depois por sonho e motor.

E entre esses retratos que o tempo não desbota,
há um nome gravado com bisturi e coração:
sou médico de vocação,
sete décadas mais quatro de caminhada,
curando com ciência e afeto,
ouvindo o corpo e o silêncio das almas.
Decano me chamam, mas sou apenas homem de palavra e jaleco,
que escreve e escuta o que Viamão tem a contar.

Porque não sou só um, sou muitos:
sou o menino que correu descalço nas ruas de chão batido,
o velho que hoje lembra,
o cronista que escreve para não esquecer,
e o amigo que sempre volta.

Eu sou Viamão!
E quem me conhece, sabe:
não é preciso nascer aqui pra pertencer.
Basta sentir o campo,
ouvir os sinos,
respeitar a memória
e carregar no peito a honra de fazer parte desta querência.

2026.02.02 – Eu Sou Viamão

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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As Formigas da Faxina – 1

As Formigas da Faxina! Parte 1

Verão com Bom Humor.

Há um ditado (não deitado!) popular aqui no Garrão do governo “Leitoso” do Brasil que avisa: Não mexe com que tá quieto! Pois é, foi publicar os causos das formigas e do areal da Faxina que as mensagens pipocaram.

1ª – “Meu tio contava de uma vez que ele estava na casa do avô, na Faxina, e o vô plantava mandioca e fazia farinha. Dizia ser a melhor farinha dessa banda. E o avô tinha ganhado uma lanterna alemã de um engenheiro do governo que estava lá medido a estrada para a praia. Era uma época difícil de conseguir pilhas novas, mas ele encomendava na Casa Veiga defronte a Praça da Borracheira (Centro Histórico). Quando as pilhas estava fracas ele dava uma esquentada na chapa do fogão.

E não foi que um dia a lanterna sumiu. Procuraram pra tudo que é lado e nada. Como meu tio andou pegando a lanterna sem pedir, recebeu a culpa. Tem uma estória dum tal de fogo assombrado que aparece pelo campo e diziam ser almas penadas ou depenadas se fosse hoje. Conhece? Pois é. Uma noite, escura que nem um breu, noite de desentocar rinchão a paulada, caçar lobisomem e escutar griteiro de bruxa, apareceu uma luz que acendia e apagava no meio da roça de mandioca. O pessoal se trancou dentro de casa e se armou de facão e garrucha. Meu tio pegou uma foice.

De dia, só umas covas no areal que parecia buraco de tatu. E aquilo se repetiu e até o padre veio benzer. Teve uma noite que a luz acendia dentro da atafona do vô e até a pedra de moer fez barulho. Edinho de Deus, aí foi feio. Mandaram as mulheres e as crianças pra vila (Viamão). A Brigada arriou e se mixou. Teve taura que fedeu nas bombachas. Mandaram uns cavaleiros na fazenda do velho Serapião. Sabe que Goulart tem mão grande. Desse convocado a mão era do tamanho de um disco de arado. Eles juravam de verdade.

Valente uma barbaridade. Uma vez, o boi da carreta empacou e era boi de gênio malévo (ruim) como correntino (argentino de Corrientes). Ele se reminou (embrabeceu) e deu um soco na cabeça do boi, naquela zona morta entre as duas aspas. O bicho bufou e se ajoelhou, como quem pede perdão. E nunca mais se aventurou de empacar. Quando pensava em ameaçar, olhava pros lado pra ver se o Goulart estava por perto. Pegou prumo.

Mais voltemo ao causo! E o homem se veio para a fazendola do vô e armou plantão de noite. Com aquele soco nem precisava de outras armas. E foi lá pela meia madrugada, um bugio roncou na figueira e a luz piscou nas toiceras (touceiras).

O Goulartão saltou como bote de onça. Chegando no beira do mato, devia ter umas 50 formigas. Uma delas era do tamanho de um cachorro fox. Ela segurava a lanterna e as outras carregam coisas para dentro das tocas. Dizem que ficaram se encarando quase meia hora, até que as formigas largaram a lanterna e se enfiaram nas tocas. Arriaram a bandeira pro Goulartão. Se tudo é verdade ou uma parte eu não sei, mas esse causo era contado na minha família.”

Pelo sim, pelo não. Vi, eu não vi. As testemunhas do sucedido já estão fazendo farinha no céu.

2026.01.27 – As Formigas da Faxina 1

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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EARWORM – Verme de Ouvido 2

Earworm” (“Verme de Ouvido”) – 2

Numa crônica anterior citei o famoso Buraco do Padre e as suas reuniões dançantes num tempo pouco lembrado em que jovens flertavam, dançava-se de rosto colado (pelo menos se tentava) e com o braço envolvendo a bela e perfumada criatura. Amores intensos floresciam e feneciam nos jatos das luzes estroboscópicas, do globo giratório de espelhos ou nos suores de uma noite de carnaval no Cidreira Praia Clube (velho e destruído CPC de guerra!). Vamos bailar juntos nas nossas memórias e na efervescência de sentimentos que brotam em mim e em você? Bora, então!

Lembra da marchinha “Quarta-feira de cinzas” de Carlinhos Lyra e do Poetinha Vinicius? Uma poesia que imortalizou a imagem de um salão cheio, do brilho nos olhos e daquela moça que se torna a tua musa do baile. Um recomeço? Renascimento. O calor aditivado pelos hormônios. Pelos “asteroides” hormonais.

“Tanto riso, oh, tanta alegria | Mais de mil palhaços no salão | Arlequim está chorando pelo amor da Colombina | No meio da multidão.”

Embora a música trace as luzes da festa ou de seu fim, esse trecho é o apogeu. A explosão de alegria que iluminou carnavais de jovens em busca do amor-quase-ou-perfeito. Uma Colombina que trouxe luzes, onde muitas não sobrevivem às cinzas de uma quarta-feira.

Vamos cutucar com vara curta outra caverna, outro escaninho da memória. O célebre gaúcho de Santana do Livramento, gago quando não cantava, um monstro inigualável de voz e interpretação realista – Nelson Gonçalves. Lembra “Naquela mesa”? Mais viável aos veteranos que troteavam um bolero ou um tango à “media luz”, sobre um tijolo.

“Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor / Naquela mesa ele juntava gente / E contava contente o que era pra ser melhor / Naquela mesa ele deixou a gente / E hoje, infelizmente, só resta o pó.”

Essa letra é um sopapo, um pontaço de adaga castelhana, um pealo na saudade. Ele descreve o pai amado, não como uma criatura distante, mas como o núcleo, o âmago, o centro gravitacional da família e dos amigos – aquele que juntava “gente”. Além do velho Aldo Cabeleira, meu pai, lembro profundamente da minha mãe Dora que criou os irmãos e a família girava na harmonia das suas mãos. Há músicas, até frêmitos que ultrapassam a vida. A nostalgia do pai e a Mesa Vazia. Como você sente? Diga-me!

“Eu sei que vou te amar | Por toda a minha vida eu vou te amar | Em cada despedida eu vou te amar | Desesperadamente, eu sei que vou te amar.” De Vinícius de Moraes e Tom Jobim – “Eu sei que vou te amar”.

Quantas vezes já cantarolou isso no seu silêncio, ou ao ouvido da prenda amada? É eterno esse hino ao amor. Reflete, ilumina a aceitação do amor com todas as suas consequências, tanto da alegria do encontro como pela dor da saudade. Eleva a parceria ao dogma do destino inevitável.

Tom Jobim, mestre da sensibilidade, na última frase gravou a vida a dois – “É impossível ser feliz sozinho”. É a conclusão e o reconhecimento final de que, por mais independente que seja a criatura, a felicidade plena só se completa no espelho do outro.

“Vou te contar / Os olhos já não podem ver / Coisas que só o coração pode entender / Fundamental é mesmo o amor / É impossível ser feliz sozinho.”

Deus do Céu, que maravilha mesmo!

2026.01.20 – “Earworm” 2 (“Verme de Ouvido”)

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas