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Corpos sem Alma! Desalmados. | 2026.09.08

Comum escutar-se ou até com o dedo em riste, como espada: “Criatura desalmada”. Alguém ruim, maligna até, ou que nada a faz se compadecer, pior que não ter coração – não tem a alma. Não possui a essência vital de Deus. Um corpo que faz tudo que outros fazem, mas seu âmago é vazio ou sem a evolução necessária. Em várias civilizações, muitos povos, culturas e religiões há essa observação. Vamos campear pelo gauchismo num fogo de chão ou numa roda de mate, tendo o estoicismo como rédea, a espiritualidade como horizonte e a linguagem simples, aberta como coração de mãe para quem quiser se achegar ao fogo esclarecedor.

O Churrasco e o Vazio.

Qualquer piá sabe a diferença entre carne e osso, entre o que sustenta e o que engana. Tem criatura assim: aparenta sustância, mas quando se corta, não alimenta. É só vazio, um oco. Nesse mundão modernoso (um potreiro cercado de telas e de pressa) circulam pessoas que falam, trabalham, mandam e consomem, mas não aquecem ninguém ao redor. Vampiros! Sempre famintas mesmo na fartura. Se achegam como quem pede sal, mas saem levando o calor do fogo e a paz da roda. Os antigos chamavam de “gente sem alma”. Nomes diversos em várias tradições: arcontes, jinns, asuras, klipot, fantasmas famintos. Todos com o mesmo traço: vivem do que não produzem, alimentam-se do medo alheio, da raiva, da ansiedade. Num ano político: observe e diga aquilo que vem de primeiro à mente.

O estoico diria que não adianta odiá-los. O ódio também os nutre. O caminho é outro: não entregar a própria chama vital, não discutir com o vento, não exigir que a noite vire dia. Cada um guarde o seu fogo, como no churrasco o gaudério protege o braseiro do vento e da chuva inútil. O problema não é somente no número de vazios, risco há quando esquecem de mantê-los cheios. Condenados são recompensados nesse mundo, liberados por seus iguais…

Quando o Mundo Esfria!

E está esfriando, piorando. O mundo evolui em tecnologia, mas a alma não cresce nessa balada reta. A alma cresce em silêncio, com responsabilidade e ética. Mas no Brasil, os vazios parecem maioria. Sim ou não? Textos antigos chamavam de períodos de decadência, fim de ciclo, tempos sombrios. Não porque o mundo acaba, mas porque o espírito se distrai(?) e quando prospera no homem que não sente peso na consciência, nem gratidão no peito. Ele sobe, manda muito, mas deixa tudo mais frio por onde passa. Conhece alguém assim?

O gaúcho, o campeiro dos pampas, sabe: campo abandonado vira macega. Sem cuidado qualquer terra endurece, como o coração. Geralmente não é possessão demoníaca, é, talvez, a desistência silenciosa da própria alma. O vivente troca o ser pelo parecer, o sentido pelo ganho, o silêncio pelo berro, gritaria. A espiritualidade madura não caça monstros invisíveis. Manda vigiar o próprio fogo – manter honra, palavra, medida, dignidade, principalmente quando não é vigiado. Saber se afastar da roda traiçoeira sem brigar.

O churrasco bem feito não se traduz na quantidade de carne, o valor, aquilo que realmente importa, está no calor verdadeiro que sustenta a vida em volta. Não soltar a ponta da corda. Não arriar a bandeira. Jamais aceitar cabresto dessas criaturas “desalmadas” que usam pessoas como cama e escada para se sustentarem na volúpia do poder. E são eleitos e reeleitos. Repetem os mesmos crimes, assim como seus acólitos.

Z17 2026.09.08 – Corpos sem Alma – Desalmados

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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