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O Relógio de Sangue!

O Relógio de Sangue!

Quando a Fé e a Fisiologia Médica se Encontram.

Na história da humanidade, a ciência e a religião costumam ser retratadas como vizinhas que não se falam, separadas por um muro alto de dogmas de um lado e evidências do outro. No entanto, há momentos em que, se encostarmos o ouvido nesse muro, ouviremos o mesmo compasso de eterna sonoridade. Um dos exemplos mais fascinantes dessa “sincronia invisível” está escondido em um pequeno detalhe do livro de Gênesis 17:12 e na cascata de coagulação de um recém-nascido.

Para o leigo, a circuncisão (postectomia ou cirurgia de fimose) ao 8º dia é apenas um rito antigo. Para o religioso, é uma aliança selada no tempo. Mas, para o olhar do médico, o 8º dia é uma curiosidade estatística que desafia o acaso. Imagine o cenário: há milênios, sem laboratórios, sem hematologistas e sem o conhecimento da vitamina K, um texto antigo prescreve que um procedimento cirúrgico deve ocorrer exatamente no 8º dia de vida. Nem no primeiro, nem no trigésimo. Por que o oito? A medicina moderna nos conta uma história de “timing” perfeito. Nos primeiros dias de vida, o bebê é um ser fisiologicamente vulnerável. Seus níveis de vitamina K — essencial para “estancar” sangramentos — são baixos, pois dependem de uma flora intestinal que ainda está florescendo. Entre o segundo e o quinto dia, o risco de hemorragia é real.

8º dia: Sagrada Saúde.

Contudo, ao chegarmos ao oitavo dia, algo notável acontece. A concentração de protrombina no plasma do recém-nascido sofre um pico súbito, atingindo cerca de 110% do nível normal. É o único momento em toda a vida do ser humano em que os fatores de coagulação estão, naturalmente, acima da média comum. É como se a natureza, ou o Criador, abrisse uma “janela de segurança” hemostática, um salvo-conduto biológico para o rito. Os antigos hebreus não possuíam microscópios ou testes de coagulação; a observação empírica ou a prescrição religiosa acabaram por coincidir com o momento de maior segurança hemostática para o procedimento.

Circuncisão em outras religiões.

Enquanto no Islã a circuncisão (Khitan – não é mencionada no Alcorão) se expandiu para uma janela de tempo maior — focando na higiene e na identidade espiritual da Fitra — a precisão matemática do texto mosaico permanece como um enigma para os céticos e um deslumbramento para os crentes. No Antigo Egito: 10-14 anos, um rito de passagem para vida adulta. Tribos africanas: adolescência, iniciação social e guerreira. Ortodoxos etíopes: 8º dia, tradição do Antigo Testamento.

A Medicina do Homem e a Medicina de Deus.

Como médico, a gente aprende que o corpo humano é uma máquina de precisão. Como cronistas da vida, percebemos que a intuição ancestral — chame-a de revelação ou de observação empírica apuradíssima — muitas vezes descobriu o “como” muito antes de entendermos o “porquê”.

No final das contas, o oitavo dia do recém-nascido bíblico nos lembra da mesma coisa: há uma ordem por trás do caos, e a vida possui um ritmo próprio que, de vez em quando, se deixa decifrar tanto pela fé quanto pelo bisturi do conhecimento.

2026.02.24 – O Relógio de Sangue

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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Earworm 3 – “Verme do Ouvido”

“Earworm” 3 (“Verme de Ouvido”)

Calma aí “galera” (estou meio modernoso, me atualizando no vocabulário), conto sobre o “Buraco do Padre”. Vamos por partes que não são anatômicas, pois seriam pecados mortais como os malditos “atentados ao estado democrático”. Nas franjas da ERS 40, na Viamópolis, tem uma igreja e lá, no seu distante início de escavação e alicerces, criou-se um espaço, como os tradicionais salões paroquiais, para casamentos (juro que havia!), aniversários, reuniões comunitárias e “reuniões dançantes”. Abrigados no sobsolo, sob a laje de concreto, com conjunto musical (de verdade com criaturas humanas tocando bateria, que não eram como as elétricas dos carros de ontem, guitarras)…

A galera (tô pegando jeito!), todo território era gente que se bandeava das vilas e os “bonitos” do Centro de Viamão City iam encantar as prendas, linda moçoilas. Com chicletes Ping-Pong e Adams para dar um estilo, calças boca de sino e colarinhos ou golas altas. Incrementando com uma calça “saint-tropez”. Sentiram a maldade, o intuito? O propósito?

“Me deixa morder a sua orelha | Me deixa beijar a sua boca | Me deixa eu te amar do jeito que eu quiser | Me deixa eu ser sua mania, mania de você.” – Rita Lee em “Mania de Você”

Uma ode à sensualidade pura, mas com carinho e entrega. É um dos clássicos em que uma geração canta baixinho. Ou sussurra, ou um ronronar nos ouvidos do flerte, ou amados. Quando o garoto, o jovem, o homem acariciava os cabelos da amada, quando o relógio do tempo fazia a vez de plateia e assistia no palco iluminado da vida o encontro de seres que buscam encontrar o significado para uma existência. Hormônios devassam os órgãos, a sexualidade sobe a montanha.

Não com a “fúria” de Djavan em “Eu te devoro”. Ops! Não há nenhum canibalismo ou antropofagia aos incautos ou obnubilados numa nuvem passageira e adocicada de canabis. Veja:

“Eu te devoro com os olhos / Eu te devoro com a boca / Eu te devoro com as mãos / Eu te devoro, eu te devoro.”

Djavan busca (e encontra?) uma sensualidade poética intensa que clama com intensidade e alegórica voracidade, com um amor profundo. Críticos alegam que Djavan sempre soube equilibrar desejo e respeito em sua letra. Entretanto, há divergências ou controvérsias que escapam de “direita ou esquerda”. Ou de alguma pedalada literária.

“Nem mesmo o céu, nem mesmo o mar, nem as estrelas | Não podem expressar o quanto eu te amo | Nem me explicar.”

Essa acima você já sacou e tirou de letra – uhuuu! Pois é: “Como é grande o meu amor por você” de Roberto Carlos. É quase impossível uma criatura que batuca amor no peito, que suas coronárias se enchem de graça ao pensar, quanto mais tocar, sua amada e ela retribuir. Importante mesmo! Sei que você já se embalou numa das letras do Erasmo e do Roberto, E quem não? O trecho acima tem o poder da divindade, é o clássico dos clássicos. Aqui Roberto deixa de ser brasileiro somente, é universal. Aqui a criatura, o homem sente, transpira e reconhece, também admite sem contestação que a linguagem, que nosso vocabulário humano é pequeno demais para medir o que se sente. É a canção da plena entrega, da entrega total. Uma devoção absoluta!

Que legal! Estamos curtindo, apreciando, revelando fagulhas cintilantes de nossos espíritos. Sua companhia, amigo leitor, gera Luz no escritor. Envie mensagens e compartilhe, principalmente para quem você entrega seu coração! Saúde e Abraço do Eds.

2026.02.10 – “Earworm” 3 (“Verme de Ouvido”)

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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Eu Sou Viamão!

Eu Sou Viamão!

Sou Viamão, senhor das coxilhas e guardião das madrugadas.
Sou onde o sol primeiro se espreguiça no pago,
e o mate, na cuia de gerações, canta histórias de um tempo antigo.

Fui prece antes de praça, e cruz antes de estrada.
Na velha Igreja, que nem o tempo ousa desmanchar,
mora a fé dos tropeiros e o silêncio dos sinos.
É ali que o vento reza, e a história cochicha nas frestas da madeira santa.

Na beira do mar, sou farol.
Itapuã me alumia as origens —
foi ali que os passos primeiros fincaram a alma na terra braba,
entre sambaquis e sonhos de um povo que viria.

Sou Tarumã em tarde de ronco.
Meu coração corre junto aos carros,
feito potro xucro, domado só pela paixão da velocidade.
As retas são versos e as curvas, refrões de uma canção de coragem.

Nos bancos de praça e nos volantes antigos,
sou saudade viva dos que guiavam destinos.
Os carros de praça — mais que táxis, eram confessionários sobre rodas,
outrora puxados por cavalo, depois por sonho e motor.

E entre esses retratos que o tempo não desbota,
há um nome gravado com bisturi e coração:
sou médico de vocação,
sete décadas mais quatro de caminhada,
curando com ciência e afeto,
ouvindo o corpo e o silêncio das almas.
Decano me chamam, mas sou apenas homem de palavra e jaleco,
que escreve e escuta o que Viamão tem a contar.

Porque não sou só um, sou muitos:
sou o menino que correu descalço nas ruas de chão batido,
o velho que hoje lembra,
o cronista que escreve para não esquecer,
e o amigo que sempre volta.

Eu sou Viamão!
E quem me conhece, sabe:
não é preciso nascer aqui pra pertencer.
Basta sentir o campo,
ouvir os sinos,
respeitar a memória
e carregar no peito a honra de fazer parte desta querência.

2026.02.02 – Eu Sou Viamão

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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As Formigas da Faxina – 1

As Formigas da Faxina! Parte 1

Verão com Bom Humor.

Há um ditado (não deitado!) popular aqui no Garrão do governo “Leitoso” do Brasil que avisa: Não mexe com que tá quieto! Pois é, foi publicar os causos das formigas e do areal da Faxina que as mensagens pipocaram.

1ª – “Meu tio contava de uma vez que ele estava na casa do avô, na Faxina, e o vô plantava mandioca e fazia farinha. Dizia ser a melhor farinha dessa banda. E o avô tinha ganhado uma lanterna alemã de um engenheiro do governo que estava lá medido a estrada para a praia. Era uma época difícil de conseguir pilhas novas, mas ele encomendava na Casa Veiga defronte a Praça da Borracheira (Centro Histórico). Quando as pilhas estava fracas ele dava uma esquentada na chapa do fogão.

E não foi que um dia a lanterna sumiu. Procuraram pra tudo que é lado e nada. Como meu tio andou pegando a lanterna sem pedir, recebeu a culpa. Tem uma estória dum tal de fogo assombrado que aparece pelo campo e diziam ser almas penadas ou depenadas se fosse hoje. Conhece? Pois é. Uma noite, escura que nem um breu, noite de desentocar rinchão a paulada, caçar lobisomem e escutar griteiro de bruxa, apareceu uma luz que acendia e apagava no meio da roça de mandioca. O pessoal se trancou dentro de casa e se armou de facão e garrucha. Meu tio pegou uma foice.

De dia, só umas covas no areal que parecia buraco de tatu. E aquilo se repetiu e até o padre veio benzer. Teve uma noite que a luz acendia dentro da atafona do vô e até a pedra de moer fez barulho. Edinho de Deus, aí foi feio. Mandaram as mulheres e as crianças pra vila (Viamão). A Brigada arriou e se mixou. Teve taura que fedeu nas bombachas. Mandaram uns cavaleiros na fazenda do velho Serapião. Sabe que Goulart tem mão grande. Desse convocado a mão era do tamanho de um disco de arado. Eles juravam de verdade.

Valente uma barbaridade. Uma vez, o boi da carreta empacou e era boi de gênio malévo (ruim) como correntino (argentino de Corrientes). Ele se reminou (embrabeceu) e deu um soco na cabeça do boi, naquela zona morta entre as duas aspas. O bicho bufou e se ajoelhou, como quem pede perdão. E nunca mais se aventurou de empacar. Quando pensava em ameaçar, olhava pros lado pra ver se o Goulart estava por perto. Pegou prumo.

Mais voltemo ao causo! E o homem se veio para a fazendola do vô e armou plantão de noite. Com aquele soco nem precisava de outras armas. E foi lá pela meia madrugada, um bugio roncou na figueira e a luz piscou nas toiceras (touceiras).

O Goulartão saltou como bote de onça. Chegando no beira do mato, devia ter umas 50 formigas. Uma delas era do tamanho de um cachorro fox. Ela segurava a lanterna e as outras carregam coisas para dentro das tocas. Dizem que ficaram se encarando quase meia hora, até que as formigas largaram a lanterna e se enfiaram nas tocas. Arriaram a bandeira pro Goulartão. Se tudo é verdade ou uma parte eu não sei, mas esse causo era contado na minha família.”

Pelo sim, pelo não. Vi, eu não vi. As testemunhas do sucedido já estão fazendo farinha no céu.

2026.01.27 – As Formigas da Faxina 1

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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EARWORM – Verme de Ouvido 2

Earworm” (“Verme de Ouvido”) – 2

Numa crônica anterior citei o famoso Buraco do Padre e as suas reuniões dançantes num tempo pouco lembrado em que jovens flertavam, dançava-se de rosto colado (pelo menos se tentava) e com o braço envolvendo a bela e perfumada criatura. Amores intensos floresciam e feneciam nos jatos das luzes estroboscópicas, do globo giratório de espelhos ou nos suores de uma noite de carnaval no Cidreira Praia Clube (velho e destruído CPC de guerra!). Vamos bailar juntos nas nossas memórias e na efervescência de sentimentos que brotam em mim e em você? Bora, então!

Lembra da marchinha “Quarta-feira de cinzas” de Carlinhos Lyra e do Poetinha Vinicius? Uma poesia que imortalizou a imagem de um salão cheio, do brilho nos olhos e daquela moça que se torna a tua musa do baile. Um recomeço? Renascimento. O calor aditivado pelos hormônios. Pelos “asteroides” hormonais.

“Tanto riso, oh, tanta alegria | Mais de mil palhaços no salão | Arlequim está chorando pelo amor da Colombina | No meio da multidão.”

Embora a música trace as luzes da festa ou de seu fim, esse trecho é o apogeu. A explosão de alegria que iluminou carnavais de jovens em busca do amor-quase-ou-perfeito. Uma Colombina que trouxe luzes, onde muitas não sobrevivem às cinzas de uma quarta-feira.

Vamos cutucar com vara curta outra caverna, outro escaninho da memória. O célebre gaúcho de Santana do Livramento, gago quando não cantava, um monstro inigualável de voz e interpretação realista – Nelson Gonçalves. Lembra “Naquela mesa”? Mais viável aos veteranos que troteavam um bolero ou um tango à “media luz”, sobre um tijolo.

“Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor / Naquela mesa ele juntava gente / E contava contente o que era pra ser melhor / Naquela mesa ele deixou a gente / E hoje, infelizmente, só resta o pó.”

Essa letra é um sopapo, um pontaço de adaga castelhana, um pealo na saudade. Ele descreve o pai amado, não como uma criatura distante, mas como o núcleo, o âmago, o centro gravitacional da família e dos amigos – aquele que juntava “gente”. Além do velho Aldo Cabeleira, meu pai, lembro profundamente da minha mãe Dora que criou os irmãos e a família girava na harmonia das suas mãos. Há músicas, até frêmitos que ultrapassam a vida. A nostalgia do pai e a Mesa Vazia. Como você sente? Diga-me!

“Eu sei que vou te amar | Por toda a minha vida eu vou te amar | Em cada despedida eu vou te amar | Desesperadamente, eu sei que vou te amar.” De Vinícius de Moraes e Tom Jobim – “Eu sei que vou te amar”.

Quantas vezes já cantarolou isso no seu silêncio, ou ao ouvido da prenda amada? É eterno esse hino ao amor. Reflete, ilumina a aceitação do amor com todas as suas consequências, tanto da alegria do encontro como pela dor da saudade. Eleva a parceria ao dogma do destino inevitável.

Tom Jobim, mestre da sensibilidade, na última frase gravou a vida a dois – “É impossível ser feliz sozinho”. É a conclusão e o reconhecimento final de que, por mais independente que seja a criatura, a felicidade plena só se completa no espelho do outro.

“Vou te contar / Os olhos já não podem ver / Coisas que só o coração pode entender / Fundamental é mesmo o amor / É impossível ser feliz sozinho.”

Deus do Céu, que maravilha mesmo!

2026.01.20 – “Earworm” 2 (“Verme de Ouvido”)

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

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MEDICINA DE CABECEIRA!

MEDICINA DE CABECEIRA!

Etnofarmacologia – Remédios Caseiros.

O saber ancestral dos povos indígenas e de civilizações antigas encontra validação (ou a cautela) na ciência moderna. Muitas vezes aquilo que chamamos de “Remédio Caseiro”, persegue uma observação clínica de séculos. Antigos Mestres, com quem convivi nas Enfermarias da Santa Casa de Porto Alegre (sagrado templo da Medicina), abriam as cortinas do tempo, transmitindo o que hoje chamaríamos de “Medicina Baseada em Observação Clínica e Sabedoria de Eras”, Aquilo que “gênios e especialistas de gabinete” chamariam de “desvario”, pela sufocante pressa da modernidade, na verdade, a Medicina de Cabeceira – aquela que não olha apenas para o exame, mas para a biologia da pessoa, sua complexa integridade e sua integração com a natureza.

Azeite de Oliva (AOEV) na Prática Sexual e Menopausa.

Referem-se registros gregos em 350 a.C. de seu uso como lubrificante. Valor Científico: o azeite é riquíssimo em esqualeno, composto natural que também compõe o manto lipídico da pele humana. Isso o torna um ótimo hidratante para a mucosa vulvar. Na Menopausa: seu uso vaginal nas mulheres com câncer de mama (hormônios contraindicados), melhora a dispareunia (dor durante o sexo) e a função sexual após cerca de 12 semanas. Ajuda a fortalecer a mucosa e curar microfissuras decorrentes da atrofia. Risco Crítico – Látex: sendo um óleo, degrada o látex dos preservativos até em minutos, aumentando o risco de rupturas e gravidez indesejada.

Óleo de Coco e Candidíase: Saber Indígena e Microbiologia.

Povos indígenas do Brasil e outras regiões tropicais (Filipinas, Índia) usam nas “coceiras” e corrimentos. Óleo Láurico e Caprílico: o óleo de coco é composto por cerca de 50% de óleo láurico. Em laboratório, esses ácidos graxos de cadeia média têm alta eficácia em romper a membrana celular de fungos, como a Cândida albicans. Tratamento de Leucorreias: embora não substitua os antifúngicos de síntese em casos graves, bem utilizado como adjuvante para aliviar o prurido e restaurar a fisiologia da vulva. A “Anarquia” da Flora: uma controvérsia entre ginecologistas – alguns defendem como lubrificante “mais puro/orgânico” (antifúngico e bactericida); outros alertam que o uso excessivo no canal vaginal pode alterar o pH e a microbiota (lactobacilos de Döderlein), que preferem um ambiente aquoso e não oleoso.

O Resgate da Ciência que o Tempo Não Apaga.

O AOEV melhora a “saúde” do espermatozoide e sua motilidade. Casais tentando engravidar não se recomenda, pois substâncias oleosas dificultam a “natação” através do muco cervical. Antecipavam-se à descoberta de substâncias (oleocantal – anti-inflamatório, etc) no AOEV e do óleo de coco nas coceiras e corrimentos vaginais. Há menções do AOEV trazer melhoras de maior prazo nas disfunções sexuais, principalmente masculina – sem sólidas evidências em trabalhos. Faz parte da Medicina de Cabeceira!

Vivemos uma era de protocolos rigorosos (?) baseados em ideologia e política, em ganhos econômicos e subserviência midiática, contrárias à Medicina real. Quando a Verdade Biológica é resiliente, ela sobrevive nos livros amarelados e na Liberdade das pessoas e das sociedades, mesmo com os grilhões da justiça injusta e criminosa nos rincões do planeta!

2026.01.13 MEDICINA DE CABECEIRA

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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“Earworm” – Verme de Ouvido!

“Earworm” (“Verme de Ouvido”) – 1

Minha sogra, Dona Palmira, do alto de seus 94 anos de idade, traz pérolas que nos fazem refletir e identificar-se com seus relatos. O sogro Waldeliro, já falecido, cultivava e cantarolava alguns trechos musicais repetida e invariavelmente. A maioria das pessoas têm essa propriedade, ou habilidade restrita, pois outros cantam a música de “cabo a rabo” (gauchesco!). Tenho essa propriedade de trechos, fragmentos de músicas virem tamborilar dentro da minha cabeça. E ali se implantam e retornam desde o dia a dia, nas crônicas e ao falar em público. Sou o criador de usar trechos ou músicas e trazer a minha versão, a minha leitura e interpretação daquele momento. Os cientistas chamam isso de “verme do Ouvido” – termo feio, mas…

“Pela luz dos teus olhos / Eu acho meu amor que só se pode achar / Que a luz dos olhos meus / Precisa se casar com a luz dos olhos teus.” – Vinícius de Moraes (Pela luz dos olhos teus).

O saudoso “Poetinha” traz a parceria perfeita. Não é somente um olhar para o outro, mas fazer e trazer com que as visões do mundo (do universo?) se casem e sigam juntas na mesma direção e plantar e colher um para o outro. Sempre! A parceria de uma vida.

“Vem sentir o calor dos lábios meus | À procura dos teus | Vem aplacar essa chama | Que me devora o peito | E vem dizer que você é minha louca amada | Pois bem sabe que eu sou teu amado.” – Eterno Pixinguinha e João de Barro (Carinhoso)

No coração de muitos é um outro hino nacional. É a tradução e amparo da “sensualidade sútil”. O pedido pelo “calor dos lábios teus” é de uma elegância ímpar, mesclando, unindo o desejo físico ao respeito e carinho com a amada. Deus do céu! O casamento de almas.

“Os detalhes tão pequenos de nós dois / São coisas muito grande para esquecer / E a toda hora vão estar presentes / Você vai ver.” – Roberto Carlos em Detalhes.

Estão sentido a emoção e o fervilhar em seus peitos. A sensualidade nos Detalhes? Roberto faz uma obra-prima da “saudade antecipada”. Sente algo tão especial, profundo (místico?) que penetra, se entranha nos objetos, nos hábitos e no cheiro, tornando a parceria algo onipresente, mesmo no silêncio consentido e amparado pelo amor de nós dois.

Mestres escrevem para a alma, para o espírito trilhar o universo do tempo em somente algo que é eterno – o Amor. Nos trazem coragem de sentir, alegria de ser, felicidade de compartilhar e ânsia de encontrar. Ele traduzem e escrevem para o Sentimento e não para o Momento, somente. Na sua Mala de Garupa estão: a Natureza com chuva, sol, estrelas e flores; o Corpo Sutil no olhar, no sorriso, na voz e no calor; e o Tempo – o “sempre”, o “nunca mais” e o “para toda a vida”. Eu sinto assim e você?

Essa música de tamborilar, de batucar na minha cabeça funciona como um tipo de mantra de proteção e amor para o casal. Ela, a música, cria um mundo onde só existem os dois. Distante dos ruídos tempestuosos de outras “músicas”. Sim ou Não?

Para mim, como para a Dona Palmira, com seu amor que a aguarda, viaja e revive tempos que trazem os verdadeiros e puros tesouros da alma, num baú sagrado de preciosidades que a maioria não abrirá e não terá a graça do amor recebido na aridez desse deserto de desamor da sociedade. Se você me acompanha, sinta que isso, entrando no seu ser, a Luz irá te iluminar.

Vamos continuar nesse tema? Aguarde e vá para a próxima crônica.

2026.01.05 – “Earworm” 1 (“Verme de Ouvido”)

Edson Olimpio – Crônicas & Agudas